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Apreensão de R$ 437 mil levou PF a investigar desvios na saúde do Ceará

Investigação apura uso de empresas de fachada, saques em espécie e compra de veículos com recursos públicos destinados à saúde.

Apreensão de R$ 437 mil levou PF a investigar desvios na saúde do Ceará
Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal iniciou, em setembro de 2024, uma investigação sobre suspeitas de desvio de recursos públicos destinados à saúde no Ceará depois de apreender dinheiro com um contador. A apuração deu origem à Operação Coaptação, que investiga possíveis crimes de fraude em contratos públicos, lavagem de dinheiro e corrupção.

Em 25 de setembro de 2024, César Agamenon Carvalho Barbosa foi abordado após sacar R$ 345 mil em uma agência bancária. O valor saiu de uma conta da New Consultoria e Assessoria Ltda. e seria levado à sede da Cooperativa de Trabalho de Atendimento Pré e Hospitalar (Coaph), em Fortaleza. Na abordagem, foram encontrados R$ 437.912 em cédulas, dois celulares e um notebook.

O contador disse que o dinheiro seria destinado ao pagamento de médicos plantonistas e fornecedores da cooperativa. Também afirmou ter retirado outros R$ 400 mil no dia anterior. A suspeita sobre a New Consultoria aumentou quando a PF constatou que seu proprietário formal estava preso na Unidade Prisional de Triagem e Observação Criminológica de Aquiraz.

Empresas e movimentações financeiras

A análise dos aparelhos apreendidos levou os investigadores a identificar mais de 80 empresas que teriam sido usadas para emitir notas fiscais de consultorias, reformas e locação de veículos. A suspeita é que os documentos justificassem repasses por serviços que não teriam sido realizados.

Quatro dessas empresas teriam movimentado cerca de R$ 20 milhões em aproximadamente 100 dias. A investigação também apura articulações para encerrar empresas já utilizadas nas operações.

Documentos citados no processo indicam que a Coaph mantinha uma sala equipada com máquinas de contagem de cédulas. Para os investigadores, o espaço poderia facilitar a circulação de dinheiro fora do sistema bancário e o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

Parte dos recursos teria sido direcionada à compra de veículos e imóveis. A revendedora Drive Car, em Fortaleza, aparece entre as empresas citadas. Segundo a investigação, mais de 90 veículos teriam passado por operações sucessivas de compra, venda e troca. Também foram identificados 88 veículos avaliados em aproximadamente R$ 16,8 milhões, registrados em nome de investigados, empresas ligadas ao grupo e terceiros apontados como possíveis laranjas. Entre os modelos estão McLaren Artura e Chevrolet Corvette.

Contratos e decisões judiciais

A Coaph é um dos principais alvos da apuração e mantém contratos de serviços de saúde com municípios cearenses e com o Governo do Estado. Uma nota técnica da Controladoria-Geral da União anexada ao processo informa que a entidade recebeu cerca de R$ 1,8 bilhão em recursos públicos ao longo dos anos, dos quais aproximadamente R$ 250 milhões tiveram origem federal.

A operação investiga ainda suspeitas de fraude documental e organização criminosa. A Justiça Federal determinou a prisão preventiva de cinco investigados, buscas no Ceará e na Paraíba e o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos.

O atual presidente da cooperativa foi alvo de busca e apreensão e afastado das funções. Entre os presos está José Newton Lacerda Carneiro, ex-presidente da Coaph e atual tesoureiro. A decisão também afastou cautelarmente cinco gestores de atividades gerenciais, financeiras ou de representação da cooperativa e de outros entes.

Em nota, a Coaph afirmou que a investigação também alcançava outras empresas de saúde contratadas pelo poder público. A entidade defendeu a apuração com respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência e ressaltou a necessidade de preservar a instituição, que presta serviços essenciais à população.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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