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Economia

Preços de serviços e despesas da classe média entram no debate eleitoral

Dez itens do IPCA responderam por mais de 2,1 pontos percentuais da inflação acumulada em 12 meses, de 4,4%.

Preços de serviços e despesas da classe média entram no debate eleitoral
Foto: Fábio Pescarini/Folhapress

A alta de preços de serviços e despesas comuns entre famílias de classe média pode influenciar o comportamento dos eleitores nas eleições deste ano, avaliam especialistas. Embora a inflação brasileira esteja dentro do teto da meta, de 4,5% ao ano, alguns itens têm impacto maior no orçamento por combinarem aumento de preços e peso relevante na cesta de consumo.

Plano de saúde, passagens aéreas, gasolina, ensino fundamental, empregado doméstico e perfume estão entre os dez produtos e serviços que mais contribuíram para a inflação acumulada em 12 meses. Juntos, eles responderam por mais de 2,1 pontos percentuais dos 4,4% registrados no período.

O IPCA de agosto de 2026 será divulgado nesta sexta-feira (11).

Peso no orçamento muda o impacto da alta

A influência de cada item no índice depende de duas variáveis: quanto o preço subiu e qual é a participação daquele gasto no orçamento das famílias. A cesta usada no cálculo do IPCA é definida com base na POF, pesquisa do IBGE que identifica os hábitos de consumo da população.

O bacalhau subiu 15,19% e o console de videogame, 13,18%, mas os dois têm participação pequena na cesta. Por isso, suas altas exercem efeito limitado sobre o índice geral. Já a energia elétrica residencial aumentou 8,85% e liderou o ranking por ter peso maior nos gastos das famílias.

As passagens aéreas têm participação menor, mas registraram alta de quase 42%, suficiente para ampliar sua contribuição para a inflação. Também aparecem na lista gasolina, plano de saúde, aluguel residencial, refeição fora de casa, lanche fora de casa e perfume.

Para Lucio Rennó, professor da Universidade de Brasília, a maior parte desses gastos está associada ao cotidiano da classe média. A redução do poder de compra e do padrão de vida pode alimentar insatisfação social e política nesse grupo.

"A perda de status equivale a uma perda de identidade", afirmou Rennó. Segundo ele, o receio de parecer estar em uma situação pior do que a esperada pode direcionar a insatisfação contra o Executivo.

Renda, dívidas e percepção dos eleitores

Janaína Feijó, economista do Ibre, da FGV, afirma que o salário é o indicador mais ligado à aprovação de um governo. A renda nominal, porém, pode perder poder de compra quando aumentam as dívidas e os preços.

Frederico Batista Pereira, professor da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, nos EUA, identifica uma relação entre a variação do IPCA e a aprovação presidencial. Ele pondera que essa associação pode não ser suficiente para produzir um efeito político mensurável ou decisivo.

A popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo Batista Pereira, está relativamente baixa em comparação com a de outros presidentes, mesmo quando esse fator é considerado. O professor também avalia que a análise por faixa de renda é relevante. O grupo entre dois e cinco salários mínimos concentra parte importante do eleitorado disputado no Sudeste, região estratégica para a candidatura de Lula.

Benjamin Rosenthal, professor da FGV, considera que os aumentos, isoladamente, não têm importância tão grande. Para ele, é preciso observar também alterações nos gastos das famílias, como o espaço ocupado pelas bets no orçamento.

Nesse cenário, a frustração pode vir não apenas da inflação de itens relevantes, mas da falta de dinheiro para consumi-los e do surgimento de novas despesas. Rosenthal ressalta, contudo, que a inflação não aparece entre as três principais preocupações dos eleitores em pesquisas de opinião pública, atrás de segurança pública e saúde.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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