RIO DE JANEIRO — O Brasil encerrou 2025 com 234,3 milhões de bovinos, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O volume representa uma queda de 1,7% em relação a 31 de dezembro de 2024, mas ainda ficou 9,8% acima da população brasileira, estimada em 213,4 milhões de pessoas em 1º de julho de 2025.
Foi o segundo ano seguido de redução do rebanho. Em 2024, a queda havia sido de 0,2% em relação ao recorde de 2023, quando o país tinha 238,6 milhões de bovinos. A série histórica da PPM reúne dados desde 1974.
Para Octavio Costa de Oliveira, pesquisador do IBGE, a diminuição está relacionada ao aumento do abate, inclusive de fêmeas, observado desde 2024. "Resultou na menor capacidade reprodutiva e, como reflexo direto, na redução do rebanho em 2025", disse o pesquisador durante a apresentação dos dados.
O IBGE registrou em 2025 o maior volume de abates de bovinos sob inspeção sanitária, cerca de 43 milhões de cabeças. O aumento ocorreu em um cenário considerado favorável para a pecuária em relação ao mercado e ao clima. As exportações de carne bovina in natura também atingiram recorde, e o Brasil ultrapassou os Estados Unidos pela primeira vez como principal produtor mundial.
Mato Grosso liderou o rebanho entre os estados, com 31,6 milhões de cabeças, ou 13,5% do total. Pará, com 25,6 milhões, e Goiás, com 22,5 milhões, vieram na sequência. Entre os municípios, São Félix do Xingu, no Pará, manteve a primeira posição, com 2,7 milhões de animais, equivalentes a 1,2% do rebanho nacional.
Galináceos e produção de ovos
O número de galináceos cresceu 1,6% em 2025 e chegou a 1,6 bilhão de animais, um novo recorde da PPM. A categoria inclui frangos de corte, galinhas produtoras de ovos, galos, pintos e pintainhas.
A produção de ovos de galinha avançou 5,7%, para 5,7 bilhões de dúzias. De acordo com o IBGE, a trajetória de crescimento é contínua desde 1999. Em uma divisão hipotética da produção pela população brasileira, cada morador teria cerca de 323 ovos.
São Paulo liderou a produção estadual, com quase 1,3 bilhão de dúzias, ou 22,5% do total. Minas Gerais registrou 553,2 milhões de dúzias, e o Paraná, 535,7 milhões. Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, foi o município com maior produção, com 352,5 milhões de dúzias, à frente de Bastos, em São Paulo, que produziu 280,1 milhões de dúzias.
Caprinos e ovinos também alcançaram os maiores volumes da série histórica, com 13,5 milhões e 22,3 milhões de animais, respectivamente.
Mais leite com menos vacas
A produção de leite de vaca cresceu 2,7% em 2025 e atingiu 36,7 bilhões de litros, novo recorde da PPM. O resultado ocorreu apesar da redução no número de vacas ordenhadas, que somou 14,7 milhões de cabeças. Esse foi o menor volume desde 1978, quando havia 14,2 milhões.
A produtividade aumentou 5,6%, para quase 2.499 litros por animal no ano. O IBGE associou o avanço a investimentos em tecnologia e melhoramento genético entre produtores que continuaram na atividade.
Minas Gerais liderou a produção de leite, com 10,1 bilhões de litros, equivalentes a 27,5% do total. Paraná e Rio Grande do Sul produziram 4,8 bilhões e 4,2 bilhões de litros, respectivamente. O município de Castro, no Paraná, registrou 532,8 milhões de litros, ou 1,5% da produção nacional.
Produção de mel
A produção brasileira de mel também bateu recorde, com 71,3 mil toneladas. O volume aumentou 4,5% em 2025. A PPM relaciona o resultado às condições climáticas favoráveis e à demanda por produtos naturais e saudáveis no mercado nacional e internacional.



