SÃO PAULO — O conselho de administração da Raízen aprovou medidas para colocar em prática o plano de recuperação extrajudicial do grupo, homologado em julho. As propostas serão submetidas aos acionistas em assembleia geral extraordinária marcada para 30 de outubro, em ambiente virtual.
A pauta prevê a eleição de um novo conselho de administração, o aumento do limite de capital autorizado para até 200 bilhões de ações e a criação de uma nova classe de ações preferenciais. Também será votado um programa de emissão de units, que reúne ações negociadas em conjunto sob um único código.
As deliberações constam de fato relevante enviado pela companhia à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e do edital de convocação da assembleia. Os acionistas ainda analisarão a redução do capital social em até R$ 35 bilhões, por meio da distribuição de ativos da Raízen Energia S.A., além de mudanças no plano de remuneração baseada em ações.
A empresa informou que, se as medidas forem aprovadas, o capital social passará a ser dividido em três classes de ativos: ações ordinárias, com direito a voto, e ações preferenciais classe A e classe B, ambas com preferência no pagamento de proventos. As units serão formadas por uma ação ordinária e uma ação preferencial classe A.
A administração disse que as medidas aprovadas são etapas para fortalecer a estrutura financeira e de governança da companhia e reafirmou o compromisso com a implementação do plano de recuperação extrajudicial.
Plano de recuperação
Homologado em 30 de julho com apoio de 81,6% dos credores, o plano prevê a reestruturação de R$ 61,4 bilhões em dívidas. Desse total, 45% dos créditos serão convertidos em participação acionária dos credores, ao valor de R$ 0,25 por ação.
Os 55% restantes serão transformados em novos títulos de dívida, por substituição, refinanciamento ou aditamento. A Shell, controladora da Raízen, se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões. Ometto ainda avalia uma entrada de R$ 500 milhões.
Paralelamente, a Raízen fará um programa de desinvestimentos e separará o negócio de combustíveis da produção de etanol e cana-de-açúcar, atividades que foram fundidas em 2011, quando a Shell se juntou à Cosan para criar a empresa.



