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Volkswagen fecha acordo para cortar postos e reduzir produção até 2030

Plano prevê eliminar cerca de 100 mil empregos, reduzir modelos e cortar a produção anual em meio à concorrência chinesa.

Volkswagen fecha acordo para cortar postos e reduzir produção até 2030
Foto: AFP

A Volkswagen fechou com seus sindicatos um acordo para realizar a maior reestruturação de seus 89 anos de história. O plano prevê a eliminação de cerca de 50 mil postos de trabalho, redução de custos e corte de mais de 500 mil veículos na capacidade anual de produção.

O CEO Oliver Blume terá de implementar as medidas em meio a desafios que incluem a concorrência chinesa, as tarifas dos Estados Unidos e a pressão sobre as margens de lucro. Pelas estimativas da empresa, seus custos são 30% maiores que os dos concorrentes.

As ações da montadora subiram quase 6% na sexta-feira (4), maior alta diária em quase nove meses. Apesar disso, a Volkswagen perdeu cerca de um quarto de seu valor neste ano.

Menos empregos, modelos e carros

Com o novo plano, o total de postos eliminados pela empresa chegaria a cerca de 100 mil até 2030. O número equivale a 15% da força de trabalho global da montadora. A companhia também pretende reduzir pela metade a quantidade de modelos e produzir 9 milhões de carros por ano, abaixo da meta anterior de 12 milhões, estabelecida antes da pandemia de COVID-19.

O futuro de quatro fábricas alemãs ainda não foi definido. As unidades de Emden, Hanover, Zwickau e Neckarsulm não têm, segundo a empresa, um futuro claro após 2030. Uma das possibilidades é convertê-las para atender à indústria de defesa, enquanto a Alemanha amplia os gastos para conter a ameaça militar da Rússia.

Blume afirmou que já existem negociações com empresas do setor. Para Harald Hendrikse, diretor administrativo do Citi Research, a indústria de defesa não conseguiria absorver todos os empregos e a capacidade de produção envolvidos.

Pressão da China e do mercado europeu

A Volkswagen perdeu espaço na China, maior mercado automobilístico do mundo, depois que empresas locais avançaram na produção de carros elétricos. A montadora também enfrenta rivais chinesas em seu próprio mercado e dificuldades nos Estados Unidos, apesar das tarifas elevadas e de outras restrições impostas pelo governo americano a veículos fabricados por empresas chinesas.

Jacob Gunter, especialista em China do Mercator Institute for China Studies, disse que a ascensão chinesa surpreendeu especialmente as montadoras alemãs. Incentivadas por subsídios governamentais, as fabricantes chinesas investiram cedo em veículos elétricos. Cerca de 1 em cada 5 veículos novos vendidos na Europa é elétrico.

Uma pesquisa da Câmara Alemã de Comércio e Indústria mostrou que mais da metade das empresas alemãs apoia medidas mais rigorosas da União Europeia contra as chamadas distorções da concorrência, mesmo com a possibilidade de preços mais altos, tarifas ou retaliação chinesa.

Se as regras atuais forem mantidas, a participação das montadoras chinesas no mercado europeu poderá chegar a até 30% em 2035, segundo Hendrikse. A extensão das tarifas aplicadas aos carros elétricos chineses para os veículos híbridos poderia limitar essa fatia a cerca de 25%.

Acordo como referência

O entendimento entre a Volkswagen e seus trabalhadores pode servir de modelo para outras empresas europeias. Na montadora, os trabalhadores ocupam metade das 20 cadeiras do conselho de supervisão, enquanto os acionistas ficam com as outras 10. Duas das cadeiras dos acionistas são ocupadas pelo estado da Baixa Saxônia, que detém 20% das ações com direito a voto.

Analistas do Deutsche Bank afirmaram que o acordo não encerra as dúvidas sobre a capacidade de a Volkswagen enfrentar seus problemas dentro de sua estrutura de governança, mas representa a evidência mais forte até agora de que isso pode ser possível.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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