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Aparecida atravessa disputas políticas desde o Império

A imagem foi incorporada por governos, grupos religiosos e parlamentares em diferentes momentos da história brasileira.

Aparecida atravessa disputas políticas desde o Império
Foto: Folhapress

A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi usada em disputas políticas brasileiras muito antes do embate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Ao longo de mais de três séculos, a santa se tornou alvo de iniciativas de governantes, parlamentares e grupos religiosos interessados em associar sua imagem a projetos políticos.

A história começou em outubro de 1717, quando três pescadores encontraram no rio Paraíba do Sul uma estatueta de terracota, escura e quebrada, com o corpo separado da cabeça. A devoção à imagem cresceu nas décadas seguintes. Até o início do século 20, porém, o padroeiro oficial do Brasil era são Pedro de Alcântara, título definido em 1826 a pedido de dom Pedro 1º.

A mudança ocorreu após uma mobilização de bispos no final de 1929. O Vaticano aprovou, em 1930, a escolha de Nossa Senhora Aparecida como padroeira nacional. A cerimônia pública foi realizada em 31 de maio do ano seguinte, no Rio de Janeiro, então capital do país. Getúlio Vargas, que governava o Brasil, participou do evento.

Segundo o jornalista Rodrigo Alvarez, autor de uma biografia da santa, o presidente, que não era religioso, segurou a barra do manto azul diante da imagem. Um bispo então o orientou: “Senhor presidente, é para beijar!”. Vargas beijou os pés da padroeira.

A aproximação entre o governo Vargas e a Igreja Católica também teve dimensão institucional. Depois de assumir o poder em 1930, o presidente encontrou na Igreja uma aliada para consolidar o regime. A hierarquia católica, por sua vez, buscava recuperar influência após a separação oficial entre Estado e Igreja, instituída em 1890. Na Constituição de 1934, foram incluídos o ensino religioso nas escolas públicas e a proibição do divórcio.

Símbolo em diferentes conflitos

A associação entre Aparecida e o poder político já aparecia no período imperial. Em 1868, a princesa Isabel teria feito uma promessa à santa por não conseguir engravidar. Depois de ter três filhos, presenteou a imagem com uma coroa de 300 gramas de ouro e 40 diamantes, além de um manto de veludo azul.

Em 1964, dias antes da queda de João Goulart, Paschoal Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, visitou Aparecida no domingo de Páscoa e disse a padres que Jango estava com os dias contados. Sacerdotes do santuário, que faziam alertas contra o que consideravam uma ameaça comunista, celebraram a queda como uma “vitória da revolução democrática”.

A imagem também esteve no centro de episódios religiosos e políticos posteriores. Em maio de 1978, um jovem de 19 anos derrubou a estátua dentro da basílica. Em 12 de outubro de 1995, um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus chutou uma representação da santa durante um programa de televisão, provocando desgaste para a denominação e para evangélicos.

Em 2007, o deputado Victorio Galli apresentou um projeto para restringir o título de padroeira aos brasileiros católicos apostólicos romanos. A proposta foi arquivada no ano seguinte. Em 2018, Jair Bolsonaro foi alvo de um boato que o associava à iniciativa, sem evidências de apoio. Agora, Flávio Bolsonaro nega a intenção de retirar de Aparecida o status de padroeira e afirma que o rumor não tem “pé nem cabeça”.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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