NOVA YORK — O grupo Parceiros pelo Multilateralismo, do qual o Brasil participa, divulgou um comunicado em defesa da soberania dos países e da integridade territorial. O documento também condena ameaças e o uso da força nas relações entre Estados.
A manifestação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, durante o debate geral da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, realizado nesta semana em Nova York, nos Estados Unidos.
O grupo afirma que os países devem respeitar o direito internacional e os princípios da igualdade soberana, da integridade territorial e da solução pacífica de controvérsias. O comunicado também defende a reforma do sistema multilateral para torná-lo mais eficaz, representativo e inclusivo.
Soberania brasileira
Conforme auxiliares de Lula, a menção à soberania brasileira feita pelo presidente em seu discurso na ONU, sem citar Donald Trump, transmitiu à comunidade internacional a posição de que o governo não aceitará ingerência externa no processo eleitoral. Lula classificou o processo como “moderno e robusto”.
O governo brasileiro considera como tentativas de ingerência dos Estados Unidos a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e a indicação de um político de direita, em vez de um diplomata, para o cargo de embaixador no Brasil.
Diplomatas também apontam ações americanas na região que, na avaliação deles, representam violações da soberania interna de países. Entre os exemplos citados estão a ação militar em Caracas que levou à prisão do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro; o ataque aéreo contra embarcações na costa da Colômbia; e a declaração de Trump de que Cuba “é a próxima”, feita ao ser questionado sobre possíveis ações militares americanas no Irã.
O comunicado diz ainda que o multilateralismo é indispensável para defender princípios da ONU, como paz, descolonização e dignidade, em um contexto de crescente polarização. O grupo manifesta preocupação com conflitos, violações do direito internacional, protecionismo, coerção e ameaças.
O texto também menciona as críticas de diversos países ao governo de Israel. Esses países afirmam que as ações militares em Gaza, sob a gestão de Benjamin Netanyahu, violam princípios internacionais. Para o grupo, essas tendências ameaçam a paz e a segurança internacionais e prejudicam a cooperação global.


