SÃO PAULO — Empresários ligados à Rockbridge Network prestaram apoio à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), segundo pessoas próximas ao candidato. Pedro Sang participou de reuniões, produziu relatórios de monitoramento e ajudou a localizar o imóvel usado pela campanha na avenida República do Líbano, em São Paulo. Tallis Gomes, integrante do grupo nos Estados Unidos, afirmou ter conversado dezenas de vezes com Flávio e contribuído para propostas do plano de governo.
A assessoria de Flávio diz que a campanha não recebeu dinheiro nem estrutura estrangeira, o que é proibido pela legislação eleitoral. Serviços atribuídos a Sang ou às empresas dele não aparecem na prestação de contas enviada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Atuação de Pedro Sang
Seis pessoas próximas à campanha, incluindo integrantes da equipe eleitoral, disseram que Sang frequentava a sede, prestava serviços e mantinha amizade com pessoas ligadas à família Bolsonaro. Ele teria usado uma sala no segundo andar como escritório, onde realizava reuniões, recebia convidados e tratava de assuntos da Rockbridge. Parte dos encontros teria ocorrido em inglês e envolvido empresários dos Estados Unidos.
Na sede, Sang elaborava e comentava relatórios sobre redes sociais e pesquisas, em atividades descritas como consultoria e cruzamento de dados. No fim de setembro, Lucas Maciel, sócio da agência Stride, afirmou que o empresário não ia ao imóvel havia semanas.
Sang abriu em maio a SNG Consult Empresarial Ltda., voltada à consultoria em gestão empresarial. Ele também é sócio da SNG Travel Turismo, empresa de sua família. Apresentado como CEO da Rockbridge Brasil em documentos do grupo, Sang nega fazer parte da organização e afirma que não trabalhou para a campanha: “Eu nunca prestei nenhum tipo de serviço ou função oficial para a mesma [a campanha].”
A Rockbridge começou a instalar uma operação no Brasil em maio, mas o processo foi interrompido por causa da eleição. Sang disse que a filial não avançou. Tallis Gomes afirmou, por meio de sua assessoria, que o conselho de tecnologia previsto para o país não chegou a ser criado.
Propostas para o governo
Em abril, Gomes declarou em um podcast que integrava a Rockbridge nos Estados Unidos e que aconselhava candidatos à Presidência. Ele disse ter discutido com Flávio temas como inteligência artificial, energia, terras raras, água e locais para data centers. Também afirmou que o candidato pediu a inclusão dessas ideias no plano de governo.
Documentos sobre a instalação da Rockbridge no Brasil mencionam a eleição presidencial. Um material de apresentação, datado de abril de 2026 e classificado como confidencial, é dirigido ao “Pré-Candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro”.
Outro documento descreve um conselho de tecnologia com bilionários do setor e quatro brasileiros, entre eles Sang e Gomes. A proposta afirma que a iniciativa beneficiaria a campanha e um eventual governo de Flávio, com conselheiros atuando como assessores diretos do presidente.
Gomes e Sang negam interesse na exploração de terras raras brasileiras em caso de vitória de Flávio. Gomes também nega integrar a campanha, fazer doações ou intermediar recursos estrangeiros.
O presidenciável do Missão, Renan Santos, acusa Flávio de ter a campanha financiada pela Rockbridge e por empresários estrangeiros. O grupo é alvo de representações do PT na Justiça Eleitoral que pedem investigação sobre suposto financiamento. Gomes processa Santos por calúnia, difamação e injúria.
Os documentos da Rockbridge descrevem uma estratégia de aproximação entre tecnologia, capital e um eventual governo, com promessa de compromissos de investimento de dezenas de bilhões antes da posse e de um canal informal com Estados Unidos, Japão, Coreia e aliados. As apresentações também defendem a mobilização permanente da direita radical, com foco no empresariado, no agronegócio e na classe média produtiva.



