O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná retirou do acesso público documentos com informações fiscais e bancárias do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin e de sua esposa, Valeska. A medida ocorreu depois de Zanin pedir providências à Justiça Eleitoral e a responsabilização dos envolvidos, inclusive na esfera criminal.
O presidente do TRE-PR determinou sigilo sobre os arquivos. O desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza também deu 24 horas para que Deltan Dallagnol se manifestasse. O tribunal informou que encaminhou o caso ao Ministério Público. Os documentos já não estavam disponíveis nos sistemas eleitorais.
Os arquivos haviam sido incluídos por Deltan no registro de candidatura ao Senado, junto com cópias integrais de processos em que ele foi alvo no Conselho Nacional do Ministério Público. Entre o material estavam documentos da Receita Federal com dados sobre rendimentos e movimentações bancárias de Zanin e Valeska.
As informações foram obtidas durante uma quebra de sigilo determinada pelo juiz federal Marcelo Bretas em 2019, no contexto da Operação Lava Jato. Naquele período, Zanin era advogado da Fecomércio-RJ, acusada de desvio de recursos públicos. O STF anulou posteriormente a decisão e os documentos derivados dela.
Deltan afirmou que apresentou os processos para contestar pedidos de impugnação de sua candidatura. Segundo a assessoria, o envio integral buscou evitar a omissão de informações e demonstrar sua elegibilidade. A defesa também declarou que não teve intenção de expor os dados do ministro.
O TRE-PR ressaltou que cabe aos advogados das partes atribuir sigilo aos documentos protocolados no Processo Judicial Eletrônico. Deltan foi eleito deputado federal pelo Podemos em 2022, mas o TSE cassou seu registro no ano seguinte. PT e outros partidos pedem a impugnação da candidatura, alegando inelegibilidade por oito anos. O caso ainda não foi julgado.
Deltan coordenou a equipe da Lava Jato no Paraná até 2020. Na época, Zanin defendia Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente do PT e réu da investigação.



