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Sete anos após denúncia, advogada aguarda julgamento de caso de estupro na Bahia

Marcela Ribeiro Santos Macedo afirma que a defesa busca anular provas e atrasou o processo iniciado após entrevista de estágio em 2019.

Sete anos após denúncia, advogada aguarda julgamento de caso de estupro na Bahia
Foto: Arquivo pessoal

Marcela Ribeiro Santos Macedo afirma aguardar há sete anos o julgamento da denúncia de estupro de vulnerável contra o advogado Silvio Nei Oliveira da Silveira. O caso começou em 4 de outubro de 2019, quando ela, então com 22 anos e estudante de direito, foi ao escritório dele para uma entrevista de estágio.

Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público da Bahia, Silvio Nei teria praticado conjunção carnal e atos libidinosos depois de oferecer vinho à jovem, que teria ficado impossibilitada de resistir. A defesa informa que o processo está em segredo de Justiça e sob medida cautelar de proibição. O advogado Vinicius Venancio disse que isso não autoriza manifestações relacionadas ao acusado.

O encontro no escritório

Marcela chegou ao local por volta das 11h, conforme o boletim de ocorrência registrado no dia seguinte. Ela levava metade de um bolo de cenoura recebido de colegas de faculdade, que haviam comemorado seu aniversário na véspera.

A jovem relatou que Silvio Nei perguntou sua idade e comentou que ela poderia ter problemas por ser mulher e aparentar ser mais nova. Depois, quis saber se ela consumia uísque e vinho. Após confirmar a contratação, ele teria pedido uma garrafa de vinho por aplicativo de entrega, dizendo que os dois iriam comemorar. Mais tarde, teria solicitado outra garrafa ao porteiro do prédio.

Marcela afirma que passou mal depois de beber uma taça da segunda garrafa, que já estava aberta. Ela relatou tontura, distorção das imagens e vômitos no banheiro. Sua última lembrança lúcida seria a de Silvio limpando uma parede.

O porteiro declarou que viu o advogado deixar o prédio sozinho, em um Gol vermelho, por volta das 18h30. Marcela teria saído a pé, aparentemente confusa. Ela diz ter recuperado plenamente a consciência na manhã seguinte, em casa, quando percebeu hematomas no pescoço e nos seios e dores na região genital. A mãe, Senildes Ribeiro Santos Macedo, afirmou que a filha chegou falando “palavras sem conexão” e aparentava estar sob efeito de drogas.

Um exame realizado no Instituto Médico Legal de Salvador registrou lesões compatíveis com sugilação e a presença de espermatozoides na secreção vaginal. De acordo com a acusação, um laudo genético produzido a partir de um copo de café descartado pelo acusado teria apontado compatibilidade entre o sêmen encontrado e Silvio Nei.

Disputa sobre o andamento do processo

Um policial civil declarou que o advogado lhe ofereceu uma recompensa financeira para convencer Marcela a mudar o depoimento, com o objetivo de evitar uma prisão em flagrante.

Marcela também afirma ter sido perseguida por Silvio Nei nas ruas. Ela relata que ele descobriu onde ficava seu antigo trabalho e passava diante do local em diferentes horários. Ao registrar o episódio, segundo ela, o advogado alegou que era perseguido por ela.

A defesa conseguiu substituir a juíza do caso ao alegar conflito de interesses. O argumento se baseou na participação de Marcela na Comissão da Mulher Advogada e em uma suposta amizade entre ela e a filha da magistrada, relação que a denunciante nega. A juíza havia conduzido o processo desde 2020.

Atualmente, a defesa pede a anulação de todas as provas reunidas ao longo do processo. Se o pedido for aceito, o caso poderá voltar ao início. A Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia abriu procedimento ético contra Silvio Nei, mas aguarda a sentença do processo principal. A entidade declarou apoio à advogada e informou que as medidas disciplinares foram instauradas sob sigilo.

Marcela diz que pensou em abandonar a faculdade e a advocacia. Hoje, trabalha como autônoma e utiliza a expressão #JustiçaPorMarcela nas redes sociais.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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