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Festa da Chiquita ocupa circuito do Círio entre fé, identidade e resistência

Celebração em Belém reúne drag queens, devotos e militantes após a passagem da imagem de Nossa Senhora de Nazaré.

Festa da Chiquita ocupa circuito do Círio entre fé, identidade e resistência
Foto: Anna Virginia Balloussier/Folhapress

A Festa da Chiquita transforma o centro do Círio de Nazaré em um espaço de convivência entre devoção religiosa e afirmação da comunidade LGBTQIA+. A celebração ocorreu neste sábado (10), depois que a imagem de Nossa Senhora de Nazaré passou pela avenida, em respeito aos romeiros.

Realizada diante do Theatro da Paz, no circuito religioso de Belém, a festa foi idealizada 50 anos atrás. O nome vem da marchinha de Carnaval “Chiquita Bacana”, conhecida na voz de Caetano Veloso. A programação inclui apresentações de drag queens, militância, leques e a entrega do Troféu Veado de Ouro. Neste ano, o ator Alexandre Barillari recebeu a homenagem. Gloria Groove e Jean Wyllys estão entre os nomes premiados em edições anteriores.

Fé e pertencimento

A dimensão religiosa aparece na experiência de participantes que também frequentam as procissões do Círio. Glenda Aquilla, 44, conta que a festa acolhe diferentes grupos LGBT e mantém uma relação de devoção com Nossa Senhora de Nazaré. “A Chiquita acolhe todas as tribos LGBT e um pouquinho mais, não tem preconceito”, afirma.

Savanna, 26, cresceu acompanhando o Círio e, há cinco anos, participa da procissão principal na corda. Ela também viu o Círio fluvial quando era criança. Para a participante, a experiência reúne fiéis em uma situação de intenso contato físico e produz um sentimento de união.

A estudante de psicologia Amanda Lira, 22, pretende acompanhar a procissão de domingo depois de passar pela festa. Ela afirma ter pedido à santa que sua família a aceitasse como é, após enfrentar dificuldades em casa ao se revelar lésbica.

Uma tradição fora da programação oficial

A Igreja Católica não reconhece a Festa da Chiquita como parte oficial do Círio. Ainda assim, a celebração foi incluída entre os bens relacionados ao ciclo de procissões que levou o Círio a ser reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2013.

O antropólogo Milton Ribeiro, da Universidade Federal do Pará, acompanha a festa há uma década e passou a integrar sua organização neste ano. Para ele, a Chiquita ocupa um ponto de encontro entre manifestações distintas e expõe contradições de Belém. Jessica Marajoara, 45, define o evento como uma oportunidade de reafirmar a existência de pessoas LGBT e cobrar respeito de católicos.

A festa também abriga um concurso de drag queens. Desiree e Afrodite, ambas com perucas loiras e roupas de vinil vermelho, disputaram a preferência do público, que escolhe a vencedora pela reação aos leques.

O médico geriatra Milton Crenitte, 40, diz não acreditar nem deixar de acreditar em religião, mas relata que se emociona ao observar a reação dos fiéis quando a imagem passa. A programação da Chiquita, assim, acompanha o Círio sem fazer parte oficialmente dele e mantém a celebração no mesmo espaço simbólico das procissões.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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