SÃO PAULO — A formação contábil é um dos caminhos para executivos que chegam a posições C-Level e a conselhos de administração. Profissionais da área afirmam que a contabilidade deixou de se concentrar apenas em obrigações fiscais e passou a contribuir diretamente para decisões de negócios.
Pedro Augusto Melo, contador com mais de 40 anos de atuação em auditoria independente, diz ouvir com frequência profissionais que precisam se aproximar dos números ao assumir posições de maior responsabilidade. Ele já foi CEO da KPMG Brasil e diretor-geral do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), além de atuar em conselhos e comitês de auditoria.
"O contador é o construtor dessa confiança", afirma Melo, ao explicar a função da contabilidade na comunicação entre quem tem uma ideia e o investidor interessado em desenvolvê-la.
Formação para além da graduação
A procura por conhecimentos contábeis não se limita a quem cursou contabilidade. Advogados, engenheiros, administradores e economistas estão entre os alunos de MBA ou pós-graduação da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), da USP (Universidade de São Paulo).
Welington Rocha, diretor-presidente da Fipecafi, afirma que há turmas de cursos para graduados em que 95% dos alunos são advogados. Também relata a presença de engenheiros que trabalham em instituições financeiras e buscam complementar a formação.
Para Rocha, a profissão passa por uma transformação baseada no que chama de “Santíssima Trindade da Contabilidade”: mensuração, informação e tomada de decisão. Nesse modelo, o contador deixa de atuar apenas no cálculo de valores e passa a apoiar a definição dos rumos da empresa.
A mudança reduz o foco em tarefas voltadas ao governo, como o preenchimento de obrigações tributárias, e aumenta a atuação na geração de valor para as companhias.
Tecnologia e atuação consultiva
Guy Almeida Andrade, contador com mais de 50 anos de experiência em auditoria independente, afirma que a automação dos controles libera tempo para a análise de dados e a indicação de caminhos para as empresas. O desafio, segundo ele, é manter a atualização profissional.
Andrade é presidente da Magalhães Andrade Auditores Independentes e também integra conselhos e comitês de grandes empresas. Ele afirma que a presença de contadores em funções ligadas à tomada de decisão é uma demanda das companhias.
Nas empresas menores, o contador também exerce função central, segundo Marcondes de Borba, head das Soluções Domínio, plataforma da Thomson Reuters que atende cerca de metade do mercado de escritórios de contabilidade no Brasil. Para ele, a reforma tributária exige serviços que ultrapassem a apuração de impostos e o fechamento anual das contas.
Ricardo Pocetti, contador e consultor em reputação de lideranças, afirma que a tecnologia ajudou os escritórios a ampliar a efetividade das entregas e a compreender melhor a gestão dos negócios.
Segundo o CFC (Conselho Federal de Contabilidade), o Brasil tem cerca de 550 mil profissionais da área e 105 mil empresas de serviços contábeis.



