SÃO PAULO — Um autor estrangeiro que relata ter visitado o Brasil algumas vezes afirma temer uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro na eleição para presidente. Na avaliação apresentada, o senador destruiria características associadas à identidade brasileira, como a diversidade cultural, a liberdade de costumes, a proteção da Amazônia e a convivência entre diferentes grupos sociais.
O texto reconhece que o autor passou apenas algumas semanas no país e não pretende abarcar sua história, geografia e diversidade. Ainda assim, ele descreve experiências em cidades e eventos brasileiros para sustentar sua crítica ao projeto político associado ao filho de Jair Bolsonaro.
Entre os pontos citados está a Amazônia. O autor afirma que Flávio Bolsonaro, assim como o pai, pretende devastar a floresta para colocá-la a serviço de interesses econômicos. Também acusa o senador de defender políticas racistas, ampliar o poder da polícia e perseguir populações negras das favelas.
Direitos, cultura e serviços públicos
A liberdade de pessoas gays e transgênero também aparece como alvo de uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro. O autor menciona demonstrações públicas de afeto entre casais, o fundamentalismo religioso e posições contrárias aos direitos dessa população, que atribui ao senador durante sua atuação no Senado.
O texto ainda relaciona o bolsonarismo a ataques ao Carnaval, aos desfiles de rua e à cultura popular. Como exemplo, cita episódios de 2022 em que apoiadores de Jair Bolsonaro perseguiram, ameaçaram e insultaram Gilberto Gil em público. O autor afirma que os atuais defensores de Flávio Bolsonaro apoiam o legado político do ex-presidente.
A literatura brasileira é apresentada por meio de Machado de Assis, Clarice Lispector e Victor Heringer. O autor argumenta que políticas de redução dos gastos do Estado e dos serviços públicos prejudicariam os pobres, enquanto medidas machistas, misóginas e repressivas dificultariam a emancipação das mulheres e silenciariam a diversidade.
No diagnóstico exposto, uma sociedade liderada por Bolsonaro seria marcada por medo, violência, prisões, armas, desigualdade, polarização e desmonte do Estado. O texto também acusa o clã Bolsonaro de enriquecer por meio de esquemas de corrupção e afirma que o projeto aproximaria o Brasil dos Estados Unidos e dos interesses de bilionários.
Ao final, o autor cita Marguerite Duras e pede que os brasileiros não tenham medo e lutem no segundo turno das eleições. Também menciona a fala atribuída a um professor da Universidade de São Paulo de que o país não precisa se tornar triste para ser forte. A conclusão é que a força do Brasil estaria ligada ao fato de o país estar vivo.



