NOVA YORK — A família Newhouse não pretende vender a Condé Nast, editora de revistas como Vogue, The New Yorker e Vanity Fair. Steven Newhouse, presidente da Advance, holding da família, afirmou que a empresa continuará sendo tratada como um investimento empresarial, e não como um ativo de prestígio.
A declaração ocorre após Roger Lynch deixar o cargo de presidente-executivo da Condé Nast para assumir a mesma função na fabricante de brinquedos Mattel. Contratado em 2019, Lynch passou sete anos reorganizando a editora, com a integração das operações dos Estados Unidos e de outros países, redução de postos de trabalho e concentração de recursos nas principais marcas.
Newhouse disse que Lynch comunicou na última segunda-feira (5) a decisão de sair. O conselho da Condé Nast ainda não havia definido o perfil do sucessor. Mike Perlis, integrante de longa data do conselho, assumirá como presidente-executivo interino.
Reestruturação e resultados
Lynch afirmou no início deste ano que a receita da Condé Nast em 2025 havia retornado aproximadamente aos níveis de 2021, quando foi estimada em quase US$ 2 bilhões (R$ 9,96 bilhões). Segundo ele, a empresa estava mais lucrativa naquele momento.
A reorganização foi acompanhada por rodadas sucessivas de demissões e insatisfação entre funcionários. Newhouse, porém, avaliou que Lynch deixou a companhia em uma situação “muito, muito melhor” do que a encontrada ao assumir o cargo. Para ele, a principal realização do executivo foi criar uma empresa global.
O presidente da Advance também não informou se a Condé Nast procurará outro executivo com experiência em tecnologia ou alguém do setor editorial. Ele afirmou que Lynch conduziu a empresa com integridade e apoiou o jornalismo e os editores.
Especulações sobre uma possível compra por Jeff Bezos, fundador da Amazon, circularam em maio nos círculos da moda. As informações, no entanto, foram descritas como sem fundamento concreto.
Questionado sobre o motivo para a família continuar dona da editora, Newhouse citou o sucesso da empresa e suas grandes marcas. Ele também disse que a família mantém a Condé Nast principalmente como investimento empresarial, mas se recusou a explicar por que não venderia a companhia.



