SÃO PAULO — A Aena concluiu a compra das ações do Galeão, no Rio de Janeiro, e assumiu a concessão do aeroporto. A empresa espanhola havia vencido, em março deste ano, o leilão do terminal carioca. Com a operação, a Infraero deixa a composição acionária e a gestão passa integralmente para o parceiro privado.
A estatal detinha 49% da concessão. Os 51% restantes eram divididos entre a Changi e a Vinci, que havia comprado parte da participação da empresa asiática em agosto de 2025. A Aena passa a administrar 18 aeroportos brasileiros, com fluxo superior a 63 milhões de passageiros ao ano.
Novo modelo de concessão
A concessão foi estruturada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no formato de venda assistida. O modelo previa a repactuação do contrato anterior, firmado pela companhia asiática. O Galeão fazia parte dos chamados contratos estressados, formados por projetos antigos que foram revisados pelo poder concedente.
Uma das alterações foi a forma de pagamento ao governo federal. Em vez de uma cobrança fixa, a Aena repassará à União 20% do faturamento anual até 2039, quando termina a concessão. A empresa também não precisará construir uma terceira pista, prevista no contrato anterior.
No leilão, a Aena ofereceu R$ 2,9 bilhões pelo aeroporto, localizado na zona norte da capital fluminense. O lance mínimo era de R$ 932 milhões. A companhia superou as propostas da Zurich Airport e do consórcio formado pela Changi, de Singapura, e pela Vinci Compass.
Nas ofertas escritas, Aena e Zurich Airport propuseram R$ 1,5 bilhão, com ágio de 60,8%. A RIOgaleão apresentou R$ 934 milhões, equivalentes a um ágio de 0,13%. A definição ocorreu na etapa de viva-voz, em que os participantes elevaram os valores até a escolha do vencedor.
Em nota, a Aena informou que pretende concentrar a gestão na eficiência operacional, na experiência dos passageiros, no transporte de cargas e na geração de valor para o Rio de Janeiro. A empresa atua no Brasil desde 2020 e também administra Congonhas, em São Paulo, além de terminais em Campo Grande, Maceió e Aracaju.



