SÃO PAULO — A demanda nos aeroportos administrados pela Zurich Airport Brasil começou a se recuperar depois de uma redução na oferta de voos associada à alta do querosene de aviação, afirma Ricardo Gesse, CEO da companhia. Segundo ele, houve perda de assentos entre maio e agosto, mas o movimento voltou a reagir a partir de agosto e setembro.
Gesse disse que o aumento do preço do petróleo afeta as companhias aéreas porque o combustível pode representar de 35% a 50% do custo de um voo. O dólar, porém, ajuda a reduzir parte da pressão sobre as passagens: na cotação mencionada pelo executivo, estava em R$ 5,08 e R$ 5,10, abaixo de R$ 6,50.
“Sim, existem cortes de demanda, sim, o mercado é afetado porque o preço sobe, mas eu não vejo essa crise como algo drástico”, afirmou Gesse. Ele acrescentou que as empresas aéreas já operaram em diferentes momentos com o barril do petróleo a US$ 80, US$ 90, US$ 100 e US$ 110 e têm mecanismos para ajustar a oferta e administrar a demanda.
Os aeroportos administrados pela empresa
De origem suíça, a Zurich Airport opera quatro aeroportos no Brasil: Florianópolis, Vitória, Macaé, no Rio de Janeiro, e Natal. Nos terminais, a empresa informa ter investido R$ 1,4 bilhão e pago R$ 1,3 bilhão em outorgas. Parte dos investimentos era obrigatória, enquanto outra parcela foi feita conforme o crescimento dos negócios.
O aeroporto de Natal foi concedido pela primeira vez em 2011. O Consórcio Inframerica, que havia vencido aquele leilão, anunciou a devolução amigável do contrato em 2020. Em 2023, a Zurich Airport ofereceu R$ 320 milhões pelo aeroporto.
Gesse afirmou que o contrato atual tem um modelo de pagamento diferente do anterior. A empresa pagou uma outorga inicial e passou a ter uma cobrança variável, crescente ao longo do contrato e mais relacionada à receita da concessionária. Na avaliação do executivo, esse formato oferece maior previsibilidade para o concessionário.
Aviação regional e expansão dos terminais
A Zurich Airport considera a aviação regional um segmento mais difícil porque as empresas atendem mercados menores e estão expostas ao dólar e ao preço do petróleo. Gesse citou a Azul, que opera aeronaves de diferentes tamanhos, e a Latam, que começou a atender mercados menores com o E2, da Embraer. Em Macaé, o voo da Latam começará em fevereiro, segundo o executivo.
No aeroporto de Florianópolis, o movimento passou de 3,8 milhões de passageiros quando a empresa chegou a quase 5,2 milhões no ano passado. Desse total, quase 1,3 milhão correspondeu a voos internacionais. A administração privada começou em 2018, e o crescimento internacional ocorreu de 2018 a 2025.
A expansão foi apoiada por voos para países do Mercosul e pela atração de novas rotas. Florianópolis não tinha voos regulares para Santiago; agora conta com dois por dia. A Copa Airlines passou de três operações por semana para seis, a partir de dezembro, enquanto a TAP aumentou as frequências de três para quatro.
Em Vitória, Gesse destacou o desenvolvimento imobiliário da região e mencionou um investimento de R$ 1,8 bilhão feito por investidores, não pela Zurich Airport. Em Natal, citou o avanço do turismo e o crescimento do tráfego internacional. Em Macaé, a empresa registrou aumento de mais de 40% nos voos offshore, ligados às plataformas de petróleo.
Sobre novos leilões, incluindo o aeroporto de Brasília, Gesse não antecipou a participação da companhia. Disse apenas que o Brasil é um mercado prioritário. Para ele, a política de concessão de aeroportos é uma agenda de Estado mantida nos governos Dilma, Bolsonaro e Lula.



