São Paulo, Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Cuba reduz sistema de subsídios e amplia mercados de bairro

Caderneta que garantia alimentos básicos a preços subsidiados perde espaço após décadas de escassez e restrições econômicas.

Cuba reduz sistema de subsídios e amplia mercados de bairro
Foto: AFP

A caderneta usada por milhões de cubanos para comprar alimentos básicos a preços subsidiados está sendo desativada, enquanto mercados de bairro começam a substituir as antigas mercearias estatais. O sistema, criado por Fidel Castro em 1963, garantia produtos por cerca de um décimo do valor de mercado.

A mudança ocorre sem anúncio oficial e em meio à reforma econômica conduzida pelo governo de Miguel Díaz-Canel, que está no poder desde 2018. Cuba enfrenta o embargo dos Estados Unidos, agravado pelo bloqueio do petróleo, e avança para um modelo com maior presença de mecanismos de mercado depois de décadas de economia estatista.

Subsídios em redução

Na chamada época das vacas gordas, a cesta subsidiada permitia que um cubano, independentemente da renda, se alimentasse durante um mês. O sistema custava US$ 1 bilhão (R$ 4,99 bilhões) por ano ao Estado cubano, conforme dados oficiais.

A estrutura começou a se deteriorar na década de 1990, depois da queda do bloco soviético, principal aliado e sustentáculo econômico da ilha. Em 2008, Raúl Castro, que liderou o país de 2006 a 2018, adotou uma política para eliminar subsídios e gratuidades considerados indevidos. Com o tempo, produtos foram retirados da caderneta.

Durante a Presidência de Díaz-Canel, a cesta foi reduzida ao mínimo, em razão do endurecimento das sanções dos Estados Unidos contra Cuba. Nos últimos meses, as mercearias tiveram à venda apenas alguns quilos de arroz e açúcar. Os cubanos passaram a comprar boa parte dos alimentos em supermercados estatais que operam em dólares e em pequenas lojas privadas autorizadas pelo governo em 2021.

Para Paula Sonia Santiago, de 64 anos, a transição rompe com a experiência vivida pelos cubanos. “É uma mudança completa em relação a tudo o que sempre vivemos”, afirmou diante de um mercado de bairro em Havana.

Novos mercados

O governo diz que pretende concentrar os subsídios nas pessoas vulneráveis, em vez de manter um benefício universal. Até agora, foram criados 24 mercados de bairro, com cerca de 20 produtos básicos vendidos por preços entre 10% e 15% abaixo dos praticados pelo setor privado.

Clientes, porém, afirmam que os valores continuam próximos aos do comércio privado. Ivón de la Riva, vendedora de café de 64 anos, disse que os preços deveriam ser menores diante do poder de compra da maioria da população.

A redução do sistema ocorre em um país onde 66% de seus 9,4 milhões de habitantes vivem em situação de pobreza, segundo um estudo privado publicado recentemente. América Guillén, de 82 anos, que recebe a aposentadoria mínima, afirmou que os mais pobres enfrentam muitas dificuldades. Rafael García, de 75 anos, resumiu a percepção sobre os novos estabelecimentos: “Não é que esteja mais barato; é que está menos caro”.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.