O preço do diesel S-10 nos postos brasileiros subiu 7% em um mês, o equivalente a R$ 0,47 por litro, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Na última semana, o combustível atingiu R$ 7,35 por litro, maior valor desde o fim de abril.
A alta ocorre após quatro semanas consecutivas de reajustes. Na primeira semana de setembro, o diesel era vendido, em média, por R$ 6,88 por litro. Importadores privados afirmam que os aumentos refletem a elevação das cotações internacionais, inicialmente associada à retomada da guerra no Irã e, depois, à ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de interromper as exportações americanas.
As refinarias dos Estados Unidos se tornaram a principal alternativa global de abastecimento após o fechamento de unidades no Oriente Médio e na Rússia, que está em guerra com a Ucrânia desde 2022. Em outubro, elas responderam por 80% das importações brasileiras de diesel.
“Os estoques [de diesel] estão muito baixos no mundo inteiro. Com isso, a oferta cai e o produto fica supervalorizado”, disse Sergio Araújo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
Importação e subsídios
O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. Petrobras e Acelen respondem pelo restante. O custo de trazer o produto ao país aumentou 7% no período analisado pela StoneX e pela Abicom. Na abertura do mercado desta segunda-feira (5), a paridade de importação no porto de Paulínia estava em R$ 6,70 por litro.
A Petrobras elevou o preço do diesel em suas refinarias há duas semanas, em valor equivalente a um novo subsídio criado pelo governo. A Acelen, que concentra suas vendas no Nordeste, reajustou o preço médio do diesel S-10 em cerca de R$ 0,50 por litro em setembro e aplicou outro aumento de R$ 0,50 por litro no início de outubro.
Os dois reajustes da Acelen somam R$ 1 por litro, valor equivalente ao novo subsídio. Além disso, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concede R$ 1,12 por litro a produtores e importadores.
A ANP informa que o governo já gastou R$ 15,4 bilhões em subsídios a combustíveis líquidos, principalmente diesel. A Petrobras afirma ter recebido R$ 13 bilhões. Para Araújo, uma eventual proibição das exportações americanas tornaria novembro preocupante.


