RIO DE JANEIRO — Flávio de Abreu Lira, 53, morreu depois de ser atingido por uma bala perdida dentro de um ônibus do BRT, na manhã desta quarta-feira (30), em Jacarepaguá, na zona sudoeste do Rio de Janeiro. Gerente de farmácia, ele estava a caminho do trabalho e deixa cinco filhos.
Morador de Bangu, na zona oeste, Lira viajava em pé quando foi atingido na barriga. O motorista levou o ônibus até a estação Asa Branca, onde bombeiros tentaram reanimá-lo por volta das 6h. O passageiro morreu no local.
O atraso chamou a atenção dos colegas, que telefonaram para a família. Após várias ligações para o celular de Lira, uma pessoa que teria se identificado como bombeiro informou o que havia acontecido. Juan Barbosa, genro da vítima, disse que Lira nunca chegava atrasado ao trabalho e era responsável pelo sustento da família.
Segundo Barbosa, o filho mais novo de Lira tem um aninho. A esposa do gerente também trabalha em farmácia, mas, conforme o genro, o salário mínimo de R$ 1.600 não é suficiente para cobrir os custos da família.
Investigação
O ônibus passava pelo corredor Transolímpico, perto da estação Ventura e da comunidade Dois Irmãos, onde a Polícia Militar realizava uma operação. A origem do disparo e sua eventual relação com a ação policial ainda são desconhecidas.
A Delegacia de Homicídios investiga o caso. Uma das hipóteses é que suspeitos tenham feito vários disparos em sequência para dificultar o avanço da operação. A Polícia Civil afirmou que esse padrão não corresponde ao modo de atuação das forças de segurança.
A operação foi coordenada pelo 18º BPM (Batalhão de Polícia Militar), de Jacarepaguá. Segundo a PM, a ação tinha como objetivo conter criminosos envolvidos em disputas territoriais. A corporação afirmou que agentes foram atacados por homens armados dentro de um carro e revidaram de forma técnica, moderada e proporcional.
De janeiro a agosto, a área do batalhão registrou 177 mortes violentas, ante 112 no mesmo período de 2025, alta de 58%. Segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública), foi o maior aumento do estado. No restante do Rio, o indicador caiu 7,4%. A polícia atribui a alta à disputa entre grupos criminosos, com a expansão do CV (Comando Vermelho) e confrontos com milícias e o TCP (Terceiro Comando Puro).



