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Maria Elisa Costa, defensora do legado de Lucio Costa, morre aos 91 anos

Arquiteta participou da implantação de Brasília, presidiu o Iphan e atuou na preservação da obra de seu pai.

Maria Elisa Costa, defensora do legado de Lucio Costa, morre aos 91 anos
Foto: Marcelo Sant'Anna/Ministério da Cultura

Maria Elisa Modesto Guimarães Costa morreu aos 91 anos, em 25 de agosto. Arquiteta e urbanista, ela dedicou parte da vida à defesa do Plano Piloto de Brasília e à preservação do legado de seu pai, Lucio Costa, autor do projeto urbanístico da capital.

Filha do arquiteto, Maria Elisa foi uma das primeiras pessoas a conhecer a proposta apresentada por ele ao concurso da futura capital. Em 1957, ainda estudante de arquitetura, acompanhou o pai ao Ministério da Educação para protocolar o projeto, levado em um rascunho feito à mão.

Ela chamava os brasilienses de sobrinhos, em referência à cidade como sua irmã caçula. Em 2017, criticou a instalação de grades e a restrição de acesso em parte do Eixo Monumental, classificando as medidas como "ridícula" e "deformação paisagística". Em 2021, também se posicionou contra a possível venda do Palácio Capanema, no Rio de Janeiro, edifício ligado à arquitetura modernista brasileira e que teve participação de Lucio Costa.

Julieta Costa Sobral, filha de Maria Elisa, afirmou que a arquiteta passou boa parte da vida defendendo o Plano Piloto da pressão imobiliária. Segundo ela, Maria Elisa era ligada às raízes brasileiras, tinha senso de humor e defendia suas causas com inteligência, precisão e argúcia.

Atuação profissional

Maria Elisa nasceu e viveu a maior parte da vida no Rio de Janeiro. Durante os anos 1960, morou exilada em Paris com o marido, Eduardo Sobral, depois que ele teve os direitos políticos cassados durante a ditadura militar.

Formada arquiteta e urbanista, trabalhou por cinco anos em projetos de implantação progressiva de Brasília pela Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil). Também atuou em projetos arquitetônicos, legislação urbanística, administração pública e artes gráficas.

Como responsável pela preservação da obra do pai, ajudou a organizar o acervo de Lucio Costa, dirigiu a associação Casa de Lucio Costa e trabalhou por cerca de dez anos na autobiografia dele. Foi presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 2003 e 2004.

Entre seus trabalhos estão intervenções na Universidade Regional do Cariri, o sistema viário do Centro Administrativo da Bahia e o Teatro Violeta Arraes, em Nova Olinda (CE). Maria Elisa deixou a filha, as netas Clara, Julia e Sofia e os bisnetos Benjamin e Zoe.

O Ministério da Cultura afirmou que a contribuição da arquiteta "permanece inscrita na história de Brasília e na reflexão sobre a proteção das referências arquitetônicas e urbanísticas brasileiras". O Governo do Distrito Federal decretou três dias de luto oficial.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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