CUIABÁ — O Abrigo Bom Jesus recebe, pela terceira eleição consecutiva, uma seção eleitoral para que os moradores votem sem precisar sair da instituição. Dos idosos acolhidos, 39 estão aptos a participar da votação.
A presença da urna no abrigo facilita o acesso principalmente para quem tem dificuldade de locomoção. A diretora da instituição, Márcia, afirma que os moradores acompanham os debates, conversam sobre política e chegam ao dia da eleição com a escolha definida. Para ela, a votação também se tornou uma ocasião especial, em que os idosos se arrumam e participam como os demais eleitores.
Moradores acompanham a política
Carlos Estevão, 73 anos, vive no Abrigo Bom Jesus há cinco anos. Ex-garimpeiro, ele acompanha entrevistas, programas de rádio, televisão e jornais para conhecer as propostas dos candidatos. O morador considera o voto a principal forma de participação na democracia e uma maneira de cobrar os representantes depois da eleição.
O interesse de Carlos pela política começou na infância, em Poxoréu, sob influência da mãe, Honorina Aires Aguiar. Ele conta que cresceu em uma casa onde revistas e jornais eram compartilhados entre vizinhos e mantém o hábito de buscar informação antes de escolher um candidato.
Silvio, também de 73 anos, mora na instituição há pouco mais de dois anos. Ele afirma que tirou o título de eleitor aos 18 anos e procurou votar em todas as eleições desde então. Para o morador, a votação é uma forma de participar da sociedade e ajudar outras pessoas.
Silvio não acompanha debates e noticiários com frequência, mas diz que costuma escolher seus candidatos pela confiança que deposita neles. A presença dos candidatos no abrigo também contribui para que ele conheça melhor as pessoas em quem poderá votar.
Votação dentro do abrigo
Dairan Pereira, 66 anos, mora no Abrigo Bom Jesus há cinco anos. Engenheiro mecânico e bacharel em Direito, ele acompanha o cenário político antes de decidir seu voto. Para Dairan, votar é uma maneira de escolher quem representará a população.
Ele considera importante a instalação da seção eleitoral dentro da instituição por oferecer mais segurança, conforto e acessibilidade aos moradores, inclusive aos cadeirantes e às pessoas que enfrentam dificuldades para sair do local. A medida, segundo Dairan, facilita a participação e fortalece a cidadania.
Aos 99 anos, Gentil Nicácio também guarda lembranças de décadas de participação eleitoral. Nascido em Tanabi (SP), ele se mudou ainda jovem para o Paraná, onde formou família, trabalhou como caminhoneiro e tirou o título de eleitor.
Gentil deixou de votar há cerca de dez eleições, depois de perder o título. Ele afirma que, se ainda tivesse o documento, continuaria participando. No abrigo, observa a movimentação ligada às campanhas e lembra que muitos moradores ainda comparecem à urna.
Ao final de uma conversa sobre política, Gentil falou sobre Corintiano, gato que vive com ele na instituição desde filhote. Questionado, em tom de brincadeira, se o animal também votaria, respondeu que não.



