RECIFE — O professor, filósofo, poeta e cineasta Jomard Muniz de Britto morreu nesta segunda-feira (12), aos 89 anos, no Recife. Ele estava internado desde sábado (10), com insuficiência respiratória, e recebeu diagnóstico de broncopneumonia. A morte ocorreu às 3h30, no Hospital Unimed, após uma infecção generalizada nos pulmões, informou um parente.
O médico que acompanhava Jomard atribuiu a morte a complicações da doença de Parkinson. De acordo com a família, o cineasta recebeu o diagnóstico no início da pandemia de Covid-19 e passou a apresentar fragilidades de saúde nos anos seguintes.
O velório ocorre nesta segunda-feira, no Cemitério de Santo Amaro, no Centro do Recife. O enterro está marcado para as 16h, no mesmo local.
Trajetória na cultura pernambucana
Nascido no Recife, em 1937, Jomard era filho de um paraibano e de uma pernambucana. Estudou no Ginásio Pernambucano e concluiu filosofia na antiga Universidade do Recife, instituição que passou a ser a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Sua atuação cultural se estendeu por mais de quatro décadas. Ele escreveu livros e produziu filmes, em sua maioria curtas-metragens, como “Esperando João”, “O Palhaço Degolado”, “Inventário de um Feudalismo Cultural” e “Arrecifes do Desejo”.
Jomard iniciou a carreira como professor do ensino básico. No fim da década de 1960, aproximou-se da estética tropicalista e procurou adaptá-la à realidade local. Nesse período, criou o termo “Pernambucália”, em oposição ao que definia como “tradicionalismo tropicológico” na cultura do estado.
Também participou da equipe inicial do Sistema Paulo Freire de Educação de Adultos, a convite do educador. Em 1964, durante a ditadura militar, foi preso e levado ao Forte das Cinco Pontas, no Recife, onde dividiu cela com Gregório Bezerra e Joel Câmara.
Nas décadas de 1970 e 1980, tornou-se um dos expoentes do cinema experimental pernambucano, especialmente pela produção em Super-8. O formato de película, mais acessível, favoreceu filmes independentes durante a ditadura militar. Jomard também ficou conhecido pelas críticas ao conservadorismo e pelos embates com nomes da cultura nordestina, como Ariano Suassuna.
Homenagens
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), que realizou em 2024 a exposição “Arrecife de Desejo: do Pau-Brasil à Pop Filosofia”, dedicada ao artista, lamentou a morte e destacou sua trajetória.
A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) também ressaltou a contribuição de Jomard para a cultura pernambucana. Em 2025, cinco filmes do cineasta em Super-8, digitalizados e restaurados, foram exibidos no Cinema São Luiz durante o festival Janela Internacional de Cinema do Recife.
A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife, afirmou que Jomard escreveu mais de dez livros, produziu algumas peças de teatro e realizou mais de 30 filmes e vídeos.



