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Contato com a natureza pode reduzir estresse e melhorar a atenção

Estudos associam ambientes naturais à redução da ansiedade, à recuperação do estresse e a melhorias na memória de trabalho.

Contato com a natureza pode reduzir estresse e melhorar a atenção

Pesquisas associam o contato com ambientes naturais a benefícios como redução da ansiedade e da depressão, diminuição da pressão arterial e recuperação do estresse. Estudos também indicam que caminhadas em áreas naturais podem favorecer a memória de trabalho e a capacidade de concentração.

Na área da saúde, um estudo realizado na década de 1980 acompanhou pacientes submetidos a cirurgias de vesícula. Aqueles que podiam ver árvores por uma janela receberam alta, em média, quase um dia antes dos pacientes que tinham vista para uma parede de tijolos. O segundo grupo também precisou de analgésicos mais fortes e recebeu mais observações negativas da equipe de enfermagem durante a recuperação.

A natureza passou a ser incorporada a espaços de atendimento. A organização Maggie's mantém centros voltados ao bem-estar de pacientes com câncer no Reino Unido, em Hong Kong e no Japão. A unidade de Manchester, na Inglaterra, é dirigida pelo psicólogo clínico Robin Muir e tem um jardim ao redor do prédio, além de janelas do chão ao teto.

Muir afirma que esse desenho ajuda os visitantes a se sentirem tranquilos e conectados ao mundo exterior. Para pacientes em tratamento contra o câncer, o jardim e o contato com a natureza podem funcionar como um recurso terapêutico.

Os efeitos também foram observados fora dos hospitais. Na Snake River Correctional Institution, no Oregon, um estudo constatou que detentos que assistiam a vídeos de natureza de três a quatro vezes por semana cometiam 26% menos infrações violentas. A diferença correspondia a 13 incidentes violentos ao longo de um ano.

Estresse e atenção

Uma das explicações estudadas é a hipótese da redução do estresse. Segundo essa ideia, ambientes naturais podem ativar o sistema nervoso parassimpático, associado ao chamado modo de repouso e digestão e à redução da frequência cardíaca. O contato com a natureza ajudaria na preparação para situações estressantes, na resposta ao estresse e na recuperação posterior.

Outra explicação é a teoria da restauração da atenção. Ambientes urbanos costumam exigir atenção constante para lidar com carros, trânsito e ruídos. Na natureza, estímulos que atraem a atenção de forma indireta poderiam permitir a recuperação da atenção direcionada, usada para ignorar distrações e se concentrar.

Pesquisas conduzidas por Gregory Bratman, professor associado e diretor do laboratório de meio ambiente e bem-estar da Universidade de Washington, compararam pessoas que caminharam na natureza e em uma área urbana durante 50 minutos. Os participantes que estiveram na natureza apresentaram menos indicadores de ansiedade e melhor desempenho em um teste de memória.

A tarefa exigia memorizar uma sequência de letras aleatórias enquanto os participantes resolviam equações matemáticas. Quem caminhou na natureza lembrou, em média, cerca de nove ou dez letras a mais, considerando também o desempenho na matemática. Entre os que caminharam em ambiente urbano, o resultado permaneceu praticamente inalterado.

Respostas diferentes

A reação à natureza não é igual para todos. Em um estudo com jovens no Japão, cerca de 80% dos participantes que passaram tempo em uma floresta tiveram aumento em um indicador de atividade do sistema nervoso parassimpático. Os outros 20% apresentaram redução.

Pesquisadores também compararam, em realidade virtual, uma paisagem verde, uma paisagem desértica e um ambiente de escritório depois que participantes passaram por uma situação estressante. O ambiente desértico promoveu recuperação do estresse em nível semelhante ao da paisagem verde.

Uma possível explicação é que os participantes viviam em El Paso, no Texas, uma cidade desértica, e se sentiam mais seguros e familiarizados com aquele tipo de ambiente. Para Bratman, experiências de vida e preferências pessoais podem influenciar a resposta à natureza.

Segundo a ONU, mais de 80% da população mundial vive em vilas e cidades. O conjunto de pesquisas indica que diferentes formas de contato com ambientes naturais podem trazer benefícios à saúde. Esses efeitos podem ser pequenos em cada exposição, mas se acumular ao longo de dias, semanas, meses ou anos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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