William Marcel Murad assumiu interinamente a direção-geral da Polícia Federal depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento de Andrei Rodrigues nesta terça-feira (8). Murad ocupava a diretoria-executiva da corporação, considerada o segundo posto na estrutura de comando, desde 2025.
Delegado federal desde 2002, Murad tem mais de duas décadas de atuação na PF. Sua trajetória inclui funções de combate ao crime organizado, repressão ao tráfico de drogas, inteligência, tecnologia e gestão operacional.
Experiência em operações e segurança
Entre 2004 e 2008, no Rio Grande do Norte, foi delegado regional de Combate ao Crime Organizado, chefe do Núcleo de Inteligência Policial e chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Antes, trabalhou na área de repressão a drogas em Pernambuco.
De 2013 a 2017, ocupou funções na Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça. Nesse período, foi coordenador substituto do Centro Integrado de Comando e Controle Nacional para a Copa do Mundo de 2014.
Depois, atuou como diretor de Inteligência e coordenador nacional da operação de inteligência de segurança pública dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016.
Murad retornou à estrutura da PF em 2017, quando assumiu a Coordenação-Geral de Inteligência. No ano seguinte, tornou-se diretor de Tecnologia da Informação e Inovação, cargo que ocupou até maio de 2021.
Em seguida, foi adido policial federal no Reino Unido e na Irlanda do Norte por cerca de três anos, entre novembro de 2021 e dezembro de 2024. No mês seguinte, passou a comandar a diretoria-executiva da Polícia Federal.
Formado em Direito pela Universidade de São Paulo, Murad também frequentou a FBI National Academy, nos Estados Unidos, em 2010. Ele fez ainda cursos de inteligência policial na PF e de inteligência antidrogas no Peru.
Em discurso nesta terça-feira (8), Murad demonstrou confiança em Andrei Rodrigues. A decisão de Mendonça ocorreu após a produção de um relatório interno usado pelo ministro Alexandre de Moraes para solicitar investigação contra Rodrigues por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do Instituto Nacional do Seguro Social.
Mendonça também pediu preventivamente o afastamento de Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF. Depois da decisão, os diretores da corporação colocaram os cargos à disposição. Em manifestação conjunta assinada por 11 diretores, a cúpula declarou apoio aos dois delegados e rejeitou acusações de atuação não republicana contra eles ou contra a instituição.



