SÃO PAULO — O antropólogo Omar Ribeiro Thomaz, professor da Unicamp, será sepultado nesta terça-feira (13), no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, na capital paulista. A cerimônia será realizada das 9h às 12h30, com sepultamento marcado para as 13h.
Antes, haverá velório no Cemitério Flamboyant, em Campinas, das 11h às 15h30. Nos últimos dias, amigos e alunos foram ao hospital da Unicamp para se despedir. As visitas foram tantas que enfermeiras procuraram o nome do professor na internet para saber quem era.
Thomaz tornou-se docente de antropologia da Unicamp em 2001. Ao longo da carreira, estudou colonialismo, guerras e desigualdades em Moçambique, no Haiti e em outros países. Também formou gerações de antropólogos e ajudou estudantes haitianos a continuar seus estudos e suas vidas no Brasil.
Durante o terremoto de 2010, estava no Haiti com um grupo de alunos. O país se tornou sua segunda pátria intelectual, depois de uma trajetória marcada por deslocamentos. Nascido no Rio de Janeiro, cresceu entre São Paulo e Lisboa, tornou-se adulto em Barcelona, conheceu a antropologia na Guiné-Bissau e pesquisou em Moçambique.
A violência esteve no centro de suas preocupações, tanto nos conflitos armados quanto nas hierarquias raciais, nas fronteiras e nas consequências da dominação colonial. Seu trabalho buscava compreender como as pessoas atravessavam essas experiências, reconstruíam seus mundos e criavam formas de resistência.
Filho de militantes comunistas perseguidos pela ditadura, viveu a Revolução dos Cravos ainda criança. Ao retornar ao Brasil, viu a mãe ser presa por órgãos de repressão. Em Barcelona, encontrou no teatro, nas artes e na vida cultural espaços para se expressar.
Na universidade, combinava erudição com interesse pelas pesquisas dos alunos. Recebia pessoas em casa, criava conexões entre pesquisadores e instituições e entendia a produção de conhecimento como inseparável das responsabilidades com quem encontrava. Também era lembrado pela gargalhada marcante e pelo gosto pela controvérsia.



