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Como se organiza o Congado de Uberlândia, que completa 150 anos

Ternos seguem uma hierarquia própria, com funções como capitão, caixeiro, soldado, guia e general da festa.

Como se organiza o Congado de Uberlândia, que completa 150 anos
Foto: Larissa Lali/Divulgação

A festa do Congado de Uberlândia chega aos 150 anos neste final de semana com 24 ternos da cidade e dois grupos convidados. Por trás dos cortejos, a manifestação religiosa e cultural de matriz africana mantém uma estrutura própria, com funções e conhecimentos transmitidos entre gerações.

Congada é o nome usado para os festejos. Congado, por sua vez, designa o conjunto de expressões religiosas e culturais ligadas à tradição. Em Uberlândia, a celebração ocorre na primeira quinzena de outubro.

A mudança de data ocorreu depois do fim da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Brancos e da festa da padroeira, realizada em 7 de outubro. Antes, os grupos negros de Congado não podiam participar dessa celebração. O padre Marcelo Augelo, então pároco da Catedral de Santa Teresinha, propôs a transferência da festa para outubro. A mudança foi aprovada pela assembleia da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito em data não informada.

Os ternos e a hierarquia

Os ternos são os grupos que participam da celebração. Cada um tem uma história ligada às necessidades e ao contexto da comunidade congadeira. O mais antigo de Uberlândia é o Terno Congo Sainha, formado em 1888. O Moçambique Quilombo dos Palmares foi criado em 2007 e incorporado à irmandade em 2017.

A organização não segue o modelo de alas das escolas de samba. A hierarquia tradicional reúne rei e rainha, capitães, madrinhas, generais, caixeiros, dançadores ou soldados, guardinhas e portadores de estandartes.

O rei e a rainha representam o reinado e ocupam posições de destaque nas celebrações e cerimônias religiosas. Em Uberlândia, tanto o casal do Reinado Perpétuo quanto os Reinados Festeiros escolhidos anualmente pertencem à comunidade do Congado.

Capitães e madrinhas lideram os ternos, orientam os integrantes, conduzem cantos e coordenam movimentos e ritmos. Também participam da transmissão dos conhecimentos do grupo. Em algumas festas, há ainda uma pessoa responsável por representar e orientar o conjunto dos ternos, organizar cortejos, receber guardas e conduzir momentos coletivos.

Caixeiros e outros instrumentistas acompanham os cortejos com instrumentos de percussão, como caixas ou harmonia. Dançadores ou soldados formam as fileiras, executam movimentos coreográficos e acompanham cantos e ritmos. Em alguns ternos, integrantes experientes ajudam a conduzir os movimentos.

A guia é a bandeira que vai à frente dos ternos e orienta o caminho. Os portadores de estandartes carregam a identificação do grupo ou a imagem do santo de devoção.

O papel do general

Jeremias Brasileiro ocupa há duas décadas a função de general da festa da Congada em Uberlândia. Segundo ele, o general é o comandante-geral e o orador da celebração. Entre suas atribuições está receber, na Igreja do Rosário, as bandeiras dos grupos participantes, em uma tradição relacionada às antigas representações dos reinos do Congo e de Angola.

Jeremias chegou a Uberlândia em 1974 e se aproximou da festa em 1985. Nos anos 2000, passou a conversar com Tio Cândido e Adenir Nascimento, que lhe transmitiram conhecimentos sobre a tradição. Ele afirma que a sucessão ocorre pelo convívio e pelos ensinamentos dos mais velhos.

“Eu não sabia, mas eles estavam me preparando para essa função”, disse Jeremias Brasileiro. Segundo ele, Aliester, tataraneto de Teófilo Nascimento, comandante em 1930, está sendo preparado para uma possível transição.

A irmandade

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito de Uberlândia reúne e representa os ternos de Congo, Moçambique, Catupé, Marujos e Marinheiros. A instituição apoia as celebrações religiosas, preserva tradições afro-brasileiras e cuida da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.

Os ternos mantêm sua própria organização, enquanto a irmandade representa o conjunto dos grupos. A instituição foi oficializada em 1916 e tem origem na organização de pessoas negras que, ainda no século XIX, promoviam festas do Congado e a devoção a Nossa Senhora do Rosário.

A filiação de novos ternos está suspensa desde 2021 e permanecerá assim até 2042, conforme o estatuto da instituição.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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