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Polícia indicia quatro pessoas por exploração sexual de menores no Rio

Investigações apontam divisão de tarefas, aliciamento de vítimas e produção de conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes.

Polícia indicia quatro pessoas por exploração sexual de menores no Rio
Foto: Reprodução

A Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) indiciou, neste ano, quatro pessoas por suspeita de integrar uma organização criminosa envolvida em exploração sexual de menores, estupro de vulnerável e produção de conteúdo sexual com crianças e adolescentes.

O professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins é apontado pela polícia como chefe do esquema e está preso desde março. Ele responde a um processo na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital, do Tribunal de Justiça do Rio, e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Em uma conversa de 30 de novembro de 2022, Cordovil pediu a outra integrante do grupo: “Arruma a novinha, mais ou menos zero quilômetro, e a gente vai sair”. A quebra do sigilo do advogado revelou mensagens nas quais participantes discutiam o recrutamento de menores para a exploração sexual.

Uma mulher que trabalhava como empregada doméstica de Cordovil e foi presa neste sábado aparece em conversas enviando fotos de meninas. Na mesma data, ela escreveu: “Eu já te mandei a foto das duas: uma de 15 e outra de 14”.

Prisões e atribuição de tarefas

Neste sábado (10), Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, foi preso na Gávea, na Zona Sul. Mariana de Oliveira Minas foi detida em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A polícia procura Ariane Minas, filha de Mariana, considerada foragida.

Os três foram alvo de pedidos de prisão temporária expedidos pela Vara Especializada em Crianças e Adolescentes (Veca). Segundo a delegada titular da Dcav, Maria Luiza Machado, os investigados respondem por estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição e associação criminosa. Luiz Alberto também responde por armazenamento de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil.

De acordo com a divisão descrita pela Dcav, Cordovil seria responsável pela exploração sexual, pela produção de conteúdo sexual com menores e pelo pagamento a vítimas e responsáveis. Ariane e Mariana fariam o recrutamento e a entrega das vítimas. Luiz Alberto seria responsável pelo aliciamento direto e participaria dos abusos.

As investigações apontam que Cordovil comandava um projeto social na faculdade Cândido Mendes. Nesse ambiente, ele teria se aproximado de vítimas em situação de vulnerabilidade e oferecido dinheiro, lanches, presentes, celulares e outras vantagens. Segundo a polícia, os benefícios também serviriam para comprar o silêncio das vítimas.

As crianças e adolescentes eram levados de Uber ou no veículo de Cordovil para a casa dele, no Grajaú, na Zona Norte do Rio. Ainda conforme a investigação, Luiz Alberto recebia transferências via Pix para levar crianças entre 10 e 16 anos à própria casa. Funcionário público, ele é apontado como o principal aliciador do grupo e teria organizado festas usadas para a exploração sexual.

Conversas e arquivos apreendidos

Uma das provas reunidas pela polícia é uma conversa entre Luiz Alberto e Cordovil sobre uma vítima de 10 anos. Os dois combinaram um encontro para 14 de novembro de 2022 e conversaram sobre a compra de um celular como contrapartida pelos abusos. Em outras mensagens, a mesma menina era identificada por apelidos como “semente” e “exclusiva”.

Ariane e Mariana também são suspeitas de recrutar adolescentes para a casa de Cordovil em troca de vantagens financeiras. Em março de 2022, Ariane teria levado uma vítima de 14 anos ao local. As mensagens indicam que ela pediu dinheiro a Cordovil para custear a festa de aniversário do filho, com itens como guaraná, cachorro-quente, doces e salgados.

A Dcav investiga ainda a suspeita de que mães tenham explorado as próprias filhas, submetendo-as à prostituição ou negociando vantagens em troca.

Segundo as investigações, Cordovil registrava os abusos em fotos e vídeos e parte desse material teria sido compartilhada. Agentes encontraram mais de 8 mil arquivos com conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes no celular do advogado. Para o Ministério Público do Rio de Janeiro, a quantidade de material indica a possibilidade de haver mais vítimas do que as identificadas até agora.

O Ministério Público pediu à Justiça uma indenização mínima de R$ 500 mil para cada vítima identificada.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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