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PCC amplia atuação na Bolívia e enfrenta avanço do Comando Vermelho

Policiais estimam que ao menos 15 pessoas morreram desde abril em confrontos ligados à disputa entre as facções brasileiras.

PCC amplia atuação na Bolívia e enfrenta avanço do Comando Vermelho
Foto: Reuters

A influência do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Bolívia, construída ao longo de anos, está sendo pressionada pelo avanço do Comando Vermelho (CV) e por uma sequência de confrontos entre grupos ligados às duas facções. Policiais estimam que ao menos 15 pessoas morreram dentro e fora do país desde abril.

A avaliação da Polícia Civil de São Paulo é que o PCC mantém presença especialmente no tráfico de drogas. Integrantes da polícia de Mato Grosso e do Ministério Público também confirmam a atuação da organização em território boliviano.

Segundo policiais, o PCC passou a contratar assassinos de aluguel, chamados de sicários, para tentar expulsar integrantes do CV e preservar seu espaço. Um promotor de Mato Grosso que acompanha o caso afirma que nenhuma das alianças criminosas em disputa conseguiu controlar completamente o território.

O CV tem avançado sobre negócios que geram renda em cidades bolivianas próximas à fronteira com Mato Grosso, entre elas San Matías e San Ignacio. A atuação do PCC é mais direcionada ao tráfico internacional, embora a facção também dispute atividades locais.

Prisão de aliado do PCC

Em 22 de setembro, uma operação prendeu Roberto Prieto Filho, conhecido como Betinho da Baixada e apontado por policiais paulistas como um dos líderes do PCC na Bolívia. Ele teria sido avisado sobre a ação e tentado fugir, o que, para os investigadores, indica a existência de uma rede de proteção à facção no país.

O delegado Fábio Pinheiro, que coordenou o grupo de policiais civis envolvido na prisão, afirmou que Betinho recebeu o aviso pouco depois de a polícia boliviana protocolar o pedido de busca. A defesa dele não respondeu a uma solicitação enviada em 9. Outra pessoa suspeita de integrar o PCC também foi levada ao Brasil.

Para Victor Hugo Caetano de Freitas, delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, os integrantes do PCC exercem funções estratégicas na Bolívia. A facção, segundo ele, busca controlar a produção da pasta-base de cocaína e reduzir a dependência de fornecedores bolivianos. Por isso, investigações indicam o envio de integrantes da cúpula ao país.

O procurador do Ministério Público de São Paulo Marcio Sergio Christino avalia que a presença da cúpula também pode ajudar a manter na Bolívia recursos obtidos com a venda de drogas na Europa, fora do alcance da Receita Federal brasileira.

Disputa após prisão de Marset

A disputa se intensificou em março, depois da prisão do narcotraficante uruguaio Sebastián Enrique Marset Cabrera, conhecido como Marset. As facções passaram a disputar uma coalizão envolvida no fornecimento de coca, na operação de laboratórios de pasta-base, nas rotas de drogas e armas e em esquemas de lavagem de dinheiro.

Policiais e especialistas afirmam que Marset administrava essa rede e que sua prisão abriu um vácuo de poder. O coronel boliviano da reserva Jorge Santisteban estima que o PCC tenha de 250 a 280 integrantes na Bolívia e afirma que a organização atua em aliança com grupos paraguaios e uruguaios, além de mexicanos, colombianos e dissidentes brasileiros do CV.

Santisteban diz que o CV tem presença minoritária, mas enfrenta o rival para conquistar territórios e disputar o controle da coalizão. A violência também envolve grupos menores, que se fragmentam durante a disputa.

Investigações da polícia boliviana apontam que Marset operava com proteção de integrantes do poder público. Róger Mariaca, então procurador-geral da Bolívia, foi preso em 30 de setembro, depois de ser acusado pelos Estados Unidos de receber propinas para facilitar o tráfico. Ele negou a acusação e passou a ser investigado por tráfico de drogas e participação em organização criminosa.

Marset foi extraditado para os Estados Unidos, onde responde a acusações de lavagem de dinheiro em um tribunal federal no estado da Virgínia. As prisões dos dois brasileiros em Santa Cruz de la Sierra são vistas por especialistas como insuficientes para alterar a estrutura de comando do PCC na Bolívia, já que os detidos poderiam ser substituídos rapidamente.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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