NATAL — Pescadores do bairro Guarapes, na Zona Oeste de Natal, protestaram na manhã desta sexta-feira (2) e cobraram respostas dos órgãos ambientais após uma mortandade de peixes nos rios Potengi e Jundiaí. Eles afirmam que estão sem conseguir trabalhar por causa do problema.
O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema) informou que ainda não encontrou elementos capazes de indicar as possíveis causas da mortandade. O Instituto de Gestão de Águas do Rio Grande do Norte (Igarn) coletou amostras da água e dos peixes mortos. Os resultados devem ficar prontos em até 20 dias.
Imagens enviadas por pescadores ao Idema mostram peixes boiando e outros saltando da água entre a noite de quarta-feira (30) e a madrugada de quinta-feira (1º). A quantidade de animais mortos não foi estimada. Além de diferentes tipos de peixes, os pescadores relataram a presença de sururus e siris mortos nas margens. O Idema confirmou o caso após uma fiscalização no local.
O mau cheiro se espalhou pelas margens do Rio Potengi nas proximidades de Guarapes. Conforme os pescadores, a movimentação da maré também levou animais mortos para outras localidades.
Impacto para os pescadores
Marlúcia Arthur, pescadora há 40 anos na comunidade, disse temer que o episódio se repita como em 2007, quando foram registradas 40 toneladas de animais marinhos mortos nos rios Potengi e Jundiaí. Na ocasião, a suspeita era de despejo de resíduos químicos e metais pesados. Segundo ela, os pescadores ficaram mais de 6 meses sem viver da pesca na região por causa de uma contaminação no trecho.
“Tenho uma família grande que são todos pescadores aqui que foram prejudicados com esse desastre que houve agora”, afirmou Marlúcia.
Robério Nascimento disse que a comunidade pesqueira entre o Km 6 e Macaíba foi prejudicada. Os pescadores suspeitam de contaminação, mas nenhuma autoridade ambiental confirmou essa hipótese.
“Está tudo parado. Essas canoas eram para estar tudo dentro d'água, mas está todo mundo parado”, disse.
Leandro Arthur Pinheiro relatou ter encontrado muitos peixes e siris mortos ao chegar ao rio para colocar a canoa na manhã de quinta-feira. Manoel Fernandes afirmou ter visto peixes e siris saindo da água enquanto morriam.



