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Letícia Cesarino aponta papel das plataformas na radicalização de jovens

Antropóloga afirma que big techs criam ambientes que moldam identidades e podem acelerar o extremismo, especialmente entre crianças e adolescentes.

Letícia Cesarino aponta papel das plataformas na radicalização de jovens

A antropóloga Letícia Cesarino afirma que as plataformas digitais não funcionam apenas como ferramentas tecnológicas, mas como ambientes que influenciam formas de socialização e identidades. Para ela, esses espaços podem favorecer a radicalização, sobretudo entre crianças e adolescentes, considerados particularmente vulneráveis ao extremismo.

A análise está no livro Ecologias de Crise (Ubu), em que Cesarino examina como as plataformas digitais participam de espirais de radicalização. A autora relaciona o fenômeno ao modelo de negócios das big techs, ao funcionamento dos algoritmos e às trajetórias individuais das pessoas que se radicalizam.

Segundo a antropóloga, comunidades extremistas podem atrair novos integrantes ao oferecer sensação de acolhimento e excitação. Esse processo, afirma, pode avançar até a prática de atos violentos. A ideia de ecologia de crise é inspirada no trabalho do antropólogo britânico Gregory Bateson, um dos nomes da teoria cibernética.

Cesarino também descreve uma mudança na forma de atuação do extremismo. Em vez de buscar necessariamente a destruição de uma sociedade para construir outra após o colapso, alguns grupos passam a ter como horizonte a aceleração do fim, com violência sem uma ideologia ou projeto posterior.

Nesse cenário, a violência pode ocorrer no ambiente privado e ser induzida por imagens e transmissões. “Você vai induzi-la a cometer violência contra ela mesma”, afirma. A pesquisadora diz que o mediador da câmera, do filme e da imagem substituiu o padrão anterior do massacre em local público. O Discord, segundo Cesarino, ficou no centro das discussões porque era usado para transmissões ao vivo.

Trajetória acadêmica

Cesarino é professora do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina. Também foi assessora do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania em 2023 e 2024. Em 2022, publicou O Mundo do Avesso.

A entrevista foi publicada no podcast Ilustríssima Conversa, que conversa com autores de livros de não ficção e intelectuais sobre suas obras e pesquisas. O programa está disponível em aplicativos como Apple Podcasts e Spotify.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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