A polícia do Distrito Federal prendeu cinco pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha que vendia kits para a aplicação do golpe do falso parente. Foram detidos duas mulheres e três homens, durante uma operação que apura organização criminosa, estelionato qualificado e lavagem de dinheiro.
Os agentes apreenderam celulares, computadores, lotes de chips de celular e documentos em imóveis de investigados em Ceilândia e Taguatinga, no Distrito Federal, e em Goiânia.
A investigação durou cinco meses e começou após uma aposentada de Brasília, de 72 anos, perder mais de R$ 53 mil. Ela recebeu uma mensagem com a foto do filho e acreditou estar falando com ele. Depois de fazer um PIX de R$ 2,5 mil e pagar vários boletos, percebeu o golpe quando o suposto filho pediu que ela contratasse um empréstimo.
“Ele falou: ‘É urgente, mãe’. Ele botou pressão na... Assim: ‘Mãe, eu preciso que você, faça isso agora’”, relatou a vítima, que não teve o nome divulgado por segurança.
A Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos identificou 19 vítimas em seis meses, a maioria idosos. A polícia afirma que os suspeitos atuavam em núcleos diferentes. O grupo de Brasília habilitava chips usando CPFs de pessoas que não conheciam o esquema. Em Goiânia, os chips eram usados para criar contas em aplicativos de mensagem.
Os kits reuniam o número de telefone da possível vítima, dados e fotos de parentes, além de um roteiro para a chamada “história inventada” usada no pedido de dinheiro. Segundo a polícia, essas informações eram obtidas de maneira criminosa.
Como evitar o golpe
O delegado João Guilherme de Carvalho orienta que familiares combinem previamente uma frase ou um código para confirmar a identidade de quem fizer um pedido de dinheiro. “Desconfiar e, se possível, firmar esse código entre os familiares”, disse.
A aposentada procurou a delegacia depois de descobrir a fraude. Em um dos relatos, afirmou que a urgência apresentada pelo golpista a convenceu a continuar fazendo transferências.



