A desvantagem de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial levou petistas e aliados a questionar a exposição de Rosângela Lula da Silva, a Janja, durante o primeiro turno. O desconforto apareceu em reuniões de avaliação do cenário político realizadas diante do risco de derrota.
Na terça-feira (6), a ex-senadora Kátia Abreu foi aplaudida ao defender “menos Janja e mais Alckmin” no segundo turno. Recém-filiada ao PT, ela argumentou que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) deveria ganhar mais espaço na campanha, inclusive como sinal de compromisso com a responsabilidade fiscal.
Kátia Abreu também criticou a concentração de poder do PT de São Paulo na campanha e na Esplanada dos Ministérios. Outros participantes fizeram referências indiretas à primeira-dama. Um deles pediu o fim de louvores evangélicos sobre o “tapete vermelho”, em alusão a um jingle de inspiração gospel cantado por Janja em atos do presidente.
Questionamentos sobre decisões da campanha
Aliados também defenderam que Lula se afastasse da bolha que o cerca e tivesse mais contato com a população. Um parlamentar afirmou que Alckmin deveria ter maior evidência na campanha, em linha com a avaliação de Kátia Abreu.
Setores petistas passaram a atribuir a Janja parte do desempenho do presidente em Minas Gerais, onde Lula havia derrotado Jair Bolsonaro (PL) na disputa de 2022. A avaliação considera a repercussão negativa do episódio em que a primeira-dama xingou o deputado Nikolas Ferreira (PL) durante um comício antes da votação. Ferreira recebeu mais de três milhões de votos na eleição para a Câmara dos Deputados.
A decisão de Lula de proibir as apostas online, conhecidas como bets, também foi associada à influência de Janja. A medida havia sido vista por aliados como potencialmente popular, mas, depois da eleição, lulistas passaram a avaliar que ela prejudicou a popularidade do presidente.
Outro ponto de crítica foi um ato com artistas realizado no Rio de Janeiro, há duas semanas. Aliados consideraram que o público do evento já apoiava Lula e que o tempo poderia ter sido usado para alcançar outro segmento do eleitorado.
Janja, que antes atuava mais nos bastidores, passou a discursar nos comícios, ganhou espaço na propaganda eleitoral e influenciou a agenda de eventos. Na segunda-feira (5), porém, aliados observaram que ela não teve destaque em uma reunião sobre a campanha do segundo turno. A assessoria da primeira-dama afirmou que ela continuaria na campanha, respaldada por Lula.



