MATO GROSSO — Quase 290 mil indígenas estão aptos a votar neste domingo (4) em todo o país. Para assegurar a participação de moradores de aldeias isoladas, a Justiça Eleitoral transporta urnas e eleitores por avião e barco.
Na aldeia Pavuru, no Parque Indígena do Xingu, o TRE levou de avião cinco urnas: duas serão usadas na votação e três ficarão como reserva. A estrutura atende 554 indígenas de 21 aldeias da região. Parte dos moradores também atuará como mesária.
O deslocamento até os locais de votação pode ser demorado. Pelo Rio Xingu, o trajeto de barco leva de seis a nove horas. A Justiça Eleitoral fornece o transporte para que eleitores de comunidades distantes consigam participar.
“Envolve uma logística bastante grande e bastante extensa, não só na distância, mas também nos horários”, afirmou Adriano dos Santos, coordenador da operação. O indígena Awa Kaiabi disse que é preciso chegar antes para evitar a perda do horário em caso de imprevistos durante a viagem.
Em Rondônia, o transporte das urnas começou na quinta-feira (1º), para atender mais de 7 mil indígenas e quilombolas. No Amazonas, os equipamentos começaram a chegar na sexta-feira (2) a comunidades da região de Parintins. Os mesários fazem o percurso de barco, que dura cinco horas, e levam as urnas até as aldeias.
O mesário Zacarias Ferreira associou a participação à confiança e ao respeito pela democracia. Já o professor Iokore Kawakum Ikpeng afirmou que a votação permite discutir a organização da comunidade e cobrar do candidato eleito o atendimento às necessidades da aldeia.



