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Sistema da USP prevê evolução de tempestades em intervalos de cinco minutos

O TITAN-LSTM combina radar e inteligência artificial para estimar rota, área e intensidade da chuva com baixo custo computacional.

Sistema da USP prevê evolução de tempestades em intervalos de cinco minutos
Foto: Divulgação Governo de SP

Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram uma ferramenta capaz de prever, com antecedência de até 30 minutos, a rota, a área e a intensidade de tempestades. Batizado de TITAN-LSTM, o sistema combina dados de radar meteorológico e inteligência artificial, atualizando as previsões a cada cinco minutos.

O método foi criado por Andrea Salome Viteri López, pós-doutoranda no IAG-USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas), com apoio da FAPESP. Carlos Augusto Morales Rodriguez, professor do IAG e orientador de López durante o doutorado, também assina o artigo publicado no Journal of Geophysical Research: Machine Learning and Computation.

Como o sistema funciona

O TITAN é um algoritmo desenvolvido nos anos 1990 para identificar e acompanhar tempestades individualmente no radar. Ele calcula características como área, intensidade, direção e velocidade de propagação. A LSTM, por sua vez, é uma rede neural com memória seletiva, capaz de avaliar sequências de dados e aprender quais informações do passado permanecem relevantes.

A ferramenta não entrega à inteligência artificial toda a imagem do radar. Em vez disso, transforma cada tempestade em uma série de dados numéricos, como volume de precipitação, dimensões, intensidade média e máxima, direção e velocidade do movimento. A rede neural usa esse histórico para estimar como o fenômeno deverá evoluir.

“Nosso objetivo era fazer uma previsão de chuva de curtíssimo prazo, utilizando o TITAN, que é um algoritmo capaz de identificar as tempestades individualmente”, afirmou López.

A abordagem foi criada para representar mudanças que métodos tradicionais têm mais dificuldade de acompanhar, como crescimento, redução, intensificação, enfraquecimento, alteração de forma e dissipação da tempestade. Os testes indicaram que, quanto maior o histórico fornecido à rede, melhor tende a ser a previsão da área de chuva.

Dados e resultados

O estudo usou dados coletados entre 2016 e 2019 pelo radar instalado na barragem de Ponte Nova, em Biritiba Mirim. O equipamento fazia uma nova varredura a cada cinco minutos, em uma área com raio de 120 quilômetros.

Inicialmente, foram analisadas mais de 32 mil tempestades. Após a aplicação de critérios que selecionaram eventos com evolução completa, duração superior a 20 minutos e sem fusão com outras nuvens, restaram 439 casos. Desse total, 307 foram usados no treinamento e 132 ficaram separados para testar a capacidade de previsão.

Cerca de 70% das tempestades ocorreram entre novembro e março. Aproximadamente 83% duraram entre 20 e 40 minutos. Nos testes, o índice de acerto para a área da chuva passou de 0,2 para aproximadamente 0,7 nos primeiros minutos, enquanto os falsos alarmes foram reduzidos em quase 70%.

O erro estimado para a intensidade da chuva ficou em torno de 3 milímetros por hora com cinco minutos de antecedência e chegou a aproximadamente 3 a 4 milímetros por hora aos 30 minutos. O treinamento completo dos 439 eventos levou cerca de 20 minutos em um computador convencional, usando programas em Python.

Possíveis aplicações

Segundo López, o sistema pode fornecer informações para alertas de inundações e para a Defesa Civil, indicando por onde a chuva passa, sua intensidade, sua área de cobertura e sua direção. Esses dados também podem alimentar modelos hidrológicos usados para estimar o risco de aumento rápido da vazão de rios, alagamentos e inundações.

Nesta primeira etapa, o TITAN-LSTM trabalha com tempestades contínuas, que podem ser acompanhadas como um único objeto e não se fundem com outros sistemas nem se dividem em células diferentes. Os pesquisadores já trabalham com tempestades complexas, que podem se fundir ou se dividir durante a evolução.

A expectativa é adaptar a ferramenta a outros radares e disponibilizá-la para uso em notebooks, desde que sejam consideradas as especificações de cada equipamento. Os trabalhos em andamento também contam com financiamento da FAPESP.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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