NOVA YORK — Bancos de Wall Street começaram nessa segunda-feira (5) a distribuir entre outras instituições parte de um pacote de dívida de US$ 60 bilhões (R$ 300,13 bilhões) para financiar o arrendamento, pela Anthropic, de semicondutores do Google. A operação é a maior já realizada para financiar chips.
Bank of America, Citigroup e Morgan Stanley assumiram o compromisso de financiar a transação e passaram a procurar bancos interessados em comprar parcelas da dívida. A operação é garantida parcialmente pela Broadcom, que também desenvolve com o Google unidades de processamento tensorial para disputar esse mercado com a Nvidia.
Estrutura do financiamento
Do total, cerca de US$ 42 bilhões em empréstimos com garantia da Broadcom começaram a ser distribuídos entre bancos nessa segunda-feira (5). Esses créditos poderão ser vendidos posteriormente a outros investidores no mercado de colocação privada ou de títulos com grau de investimento, favorecidos pela classificação de crédito A- da Broadcom.
Outros US$ 18 bilhões serão lançados depois na forma de dívida subordinada, sem garantia da Broadcom. A Blackstone se comprometeu a aportar cerca de US$ 9 bilhões nessa parcela e também participará da distribuição do restante.
Os recursos serão usados para encomendas de chips da Anthropic para 2027. Os pagamentos do arrendamento começarão depois da entrega dos componentes. A empresa também poderá emitir até US$ 42 bilhões em notas conversíveis para a Broadcom como forma de pagar os arrendamentos.
A dívida subordinada deixará os credores expostos ao risco de crédito da Anthropic. Por isso, os bancos podem preferir acessar o mercado depois da abertura de capital da empresa, prevista para este ano, quando investidores poderão consultar suas informações financeiras.
A operação ocorre após um acordo de US$ 35 bilhões (R$ 175,08 bilhões) firmado pela Broadcom com Apollo e Blackstone. Na ocasião, a fabricante anunciou uma plataforma de 20 gigawatts para ajudar empresas como Anthropic e OpenAI a obter capacidade computacional. Investidores têm exigido um prêmio de risco maior em empréstimos a empresas de tecnologia que investem no desenvolvimento de modelos de inteligência artificial.



