O dólar comercial abriu em queda nesta terça-feira (6), ainda sob influência do resultado do primeiro turno da eleição presidencial. Às 9h49, a moeda recuava 0,75%, cotada a R$ 4,964. No exterior, o índice DXY, que acompanha o dólar diante de seis moedas fortes, caía 0,31%.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira etapa da disputa à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos contra 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25.
As taxas de juros futuros também continuavam em baixa. Às 9h50, o contrato com vencimento em janeiro de 2028 era negociado a 12,625%, recuo de 0,03 ponto percentual. A taxa para janeiro de 2035 estava em 12,685%, queda de 0,10 ponto percentual.
Reação dos mercados
Na segunda-feira (5), o Ibovespa fechou em alta de 7,70%, aos 206.911 pontos, maior nível histórico em termos reais e nominais. O dólar terminou o pregão com queda de 4,11%, a R$ 5,001, e chegou a recuar 5,06% durante o dia, quando atingiu R$ 4,952.
O desempenho refletiu a expectativa de alternância de poder e de uma condução fiscal mais sólida, avaliação que reduziu a percepção de risco sobre os ativos brasileiros. Os juros futuros também recuaram em bloco: a taxa DI de 2029 caiu 109 pontos-base, para 12,66%, e a taxa DI de 2028 cedeu 79 pontos-base, para 12,72%.
As taxas dos DIs representam as expectativas do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI. Juros menores reduzem a atratividade da renda fixa e podem favorecer investimentos em ativos de maior risco. Também tendem a diminuir o custo do crédito e o peso da dívida das empresas.
Ações de bancos, petroleiras e varejistas subiram na sessão anterior. Os papéis da Petrobras avançaram mais de 6%, as ações do BTG tiveram alta de 22% e o Magazine Luiza subiu 24%.
Projeções e incertezas fiscais
O JPMorgan estima que a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro poderia levar as ações brasileiras a uma alta de 10% a 11%, o dólar para entre R$ 4,95 e R$ 5 e provocar o fechamento da curva de juros. Em caso de vitória, o banco projeta alta de 20% a 25% para o MSCI Brazil e dólar a R$ 4,80.
O BTG Pactual calcula potencial de alta de 11% a 20% para as ações brasileiras caso Flávio vença. O Morgan Stanley projeta dólar a R$ 4,50 no primeiro trimestre de 2027 e Ibovespa a 250 mil pontos se houver um plano fiscal crível e estabilidade no cenário global. O UBS prevê dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,60 e potencial de alta superior a 30% para a Bolsa nos próximos meses, caso o resultado do primeiro turno se confirme.
Ainda há incerteza sobre a política econômica dos candidatos. Flávio Bolsonaro defende ajuste fiscal sem mudanças na Previdência ou na política de valorização do salário mínimo. O governo Lula propõe reduzir o ritmo de crescimento dos gastos obrigatórios e aprimorar o arcabouço fiscal.
O governo Lula prevê déficit de R$ 67,3 bilhões neste ano, equivalente a 0,5% do PIB. A dívida bruta do governo geral está em 82,9% do PIB, e analistas estimam que sua estabilização exigiria um ajuste de ao menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos.


