O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (8), influenciado pela valorização do petróleo no exterior e pela expectativa de divulgação de uma nova pesquisa Datafolha sobre o segundo turno das eleições.
Por volta das 9h35, a moeda americana subia 0,11%, para R$ 5,019. O índice DXY, que compara o dólar com seis moedas fortes, avançava 0,02%, próximo da estabilidade.
No mesmo horário, o petróleo subia 4,85%, a US$ 105,04. A alta da commodity aumentava a preocupação dos investidores com os efeitos sobre a inflação. O movimento também afetava os juros futuros: as taxas dos contratos de DI com vencimento em 2029 e 2030 avançavam para 12,45% e 12,52%, respectivamente, com alta de 2 pontos-base em cada caso.
Cenário externo e mercado brasileiro
A cautela no exterior estava relacionada à possibilidade de novos ataques dos Estados Unidos ao Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. A revista The Atlantic informou que a Casa Branca teria solicitado ao Pentágono opções para atacar instalações iranianas.
Na sessão anterior, na quarta-feira (7), o dólar fechou em alta de 0,74%, a R$ 5,014, enquanto a Bolsa caiu 0,74%, para 204.302 pontos. Nos Estados Unidos, S&P 500, Nasdaq e Dow Jones recuaram 0,22%, 0,22% e 0,66%, respectivamente.
O desempenho dos ativos também foi influenciado pelo avanço do petróleo e pelo cenário global de aversão ao risco. Um assessor do comandante da Guarda Revolucionária iraniana afirmou à agência Fars que rotas consideradas ilegais pelo Irã no estreito de Hormuz seriam fechadas em breve.
Dados do Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha dos Estados Unidos, indicaram que os ataques a petroleiros no estreito de Hormuz alcançaram na semana passada o maior número registrado em uma única semana desde o início da guerra com o Irã.
A ata do Federal Reserve também entrou no radar. O documento registrou que vários participantes consideravam a taxa de juros atual não restritiva ou apenas levemente restritiva. A maioria avaliou que outro aumento provavelmente seria apropriado até o fim do ano.
Fluxo estrangeiro e eleição
Apesar da pressão externa, os ativos brasileiros tiveram impacto considerado limitado. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, afirmou que os balanços corporativos, as discussões fiscais e o fluxo estrangeiro continuavam no foco doméstico.
Dados da B3 até 5 de outubro mostravam saldo positivo de R$ 12,6 bilhões no fluxo de investidores estrangeiros durante o mês. Apenas na segunda-feira, o aporte foi de R$ 10,6 bilhões.
Os investidores ainda repercutiam o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que terminou com Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio teve 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula. O segundo turno está marcado para o dia 25.
Na segunda-feira, a Bolsa ultrapassou 200 mil pontos e atingiu 209.605 pontos durante as negociações. O dólar caiu abaixo de R$ 5 e, na terça-feira, chegou ao menor nível desde maio.
Bancos projetam diferentes efeitos para os ativos brasileiros caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno. O JPMorgan estima alta de 10% a 11% para as ações no curto prazo e dólar entre R$ 4,95 e R$ 5. O BTG Pactual calcula potencial de alta de 11% a 20% para as ações, enquanto o Goldman Sachs avalia que a disputa tende a ser polarizada.
O Morgan Stanley projeta dólar a R$ 4,50 no primeiro trimestre de 2027 e Ibovespa a 250 mil pontos caso haja um plano fiscal crível e estabilidade global. O UBS estima dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,60 e potencial de alta superior a 30% para a Bolsa nos próximos meses, se o resultado do segundo turno confirmar o do primeiro e houver estabilização da dívida em relação ao PIB.



