NOVA YORK E SAN FRANCISCO (EUA) — A Broadcom concordou em emprestar até US$ 42 bilhões (R$ 217,33 bilhões) à Anthropic para financiar gastos com infraestrutura, conforme o prospecto de abertura de capital da empresa de inteligência artificial.
O acordo também envolve o fornecimento de recursos de computação e a locação de equipamentos. A Broadcom poderá indicar um parceiro financeiro, e os instrumentos de dívida poderão ser convertidos em ações da Anthropic. A empresa afirmou no documento de registro que não espera vender nenhuma nota antes de concluir sua IPO (oferta pública inicial de ações).
A Anthropic se comprometeu a pagar US$ 125,2 bilhões para alugar, por cinco anos, capacidade computacional de TPUs (unidades de processamento tensorial). A nota conversível prevista no acordo com a Broadcom poderia financiar cerca de um terço desse compromisso.
O contrato coloca a Broadcom em uma posição diferente da Amazon, que fornece principalmente infraestrutura em nuvem e distribuição para o modelo Claude. A fabricante de chips também deve se tornar, no próximo ano, o maior cliente do negócio principal de design de chips da Broadcom.
Parceria com Google
Google e Broadcom colaboraram no desenvolvimento de várias gerações de TPUs. Em abril, a Anthropic anunciou uma parceria com as duas empresas para ter acesso a vários gigawatts de capacidade computacional de TPUs de última geração a partir de 2027.
O prospecto informa que uma eventual IPO poderia avaliar a Anthropic em US$ 2 trilhões (R$ 10,34 trilhões). Para Robert Leitao, sócio-gerente da Rothschild & Co., existe uma concentração de apostas na capacidade de as duas empresas gerarem receita suficiente para sustentar o financiamento.
“Parece que há, neste momento, uma aposta bastante concentrada de que as duas empresas serão capazes de gerar receitas suficientes para sustentar todo o financiamento que já ocorreu”, disse Leitao.
O financiamento segue uma estratégia que, segundo Jay Goldberg, analista da Seaport Research, a Nvidia vem adotando para impulsionar as vendas de chips com o uso de sua posição financeira. “A Nvidia está empregando uma quantia enorme de seu balanço patrimonial, e a Broadcom está tendo que seguir o exemplo”, afirmou.



