A China ampliou a produção e as exportações de carne de frango e pode se tornar uma concorrente relevante do Brasil no mercado internacional. O país asiático registrou alta de mais de 9% na produção no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto a menor demanda interna por alguns cortes aumentou a oferta para exportação.
Mesmo com o avanço externo, a China continuou entre os principais destinos do frango brasileiro em 2026. O país liderou as compras da proteína em fevereiro, abril, maio, junho, julho e agosto. Em setembro, ficou na terceira posição, com 40,9 mil toneladas, atrás dos Emirados Árabes Unidos, com 45,9 mil toneladas, e da União Europeia, com 43,5 mil toneladas.
As exportações brasileiras para a China somaram 33,4 em janeiro, 49,4 em fevereiro, 51,7 em março, 52,3 em abril, 48,2 em maio, 50,1 em junho, 43,5 em julho, 51,0 em agosto e 40,9 em setembro.
Produção chinesa cresce mais que o consumo
Segundo o Rabobank, a produção chinesa avançou mais de 9% em 2026, depois de crescer cerca de 7% em 2025. O aumento foi maior que a expansão do consumo doméstico, deixando mais carne disponível para o comércio exterior.
A China, que exportava principalmente produtos processados, também passou a ampliar os embarques de carne in natura. O peito de frango, menos procurado pelos consumidores chineses, já representa a maior parte das exportações do país.
Entre janeiro e maio de 2026, a China exportou 257,1 mil toneladas de peito de frango. O volume correspondeu a 63,3% das vendas externas de carne de frango no período e cresceu 59,6% em relação aos cinco primeiros meses de 2025.
No total, foram exportadas 546 mil toneladas de carne de frango entre janeiro e maio de 2026, alta de 51% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo o USDA. Em 2025, a China exportou pouco mais de 1 milhão de toneladas e ficou na quinta posição entre os maiores exportadores mundiais.
O Brasil exportou cerca de 5,3 milhões de toneladas em 2025, mais de cinco vezes o volume chinês. Para Chenjun Pan, especialista em proteínas animais do Rabobank, a expansão da China pode elevar a concorrência para o Brasil no Oriente Médio, na Ásia e na África.
Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), avalia que o avanço chinês não deve reduzir o espaço dos exportadores brasileiros. “O Brasil continua sendo o país mais competitivo no comércio global.”
Preferências por cortes mantêm comércio entre os países
A diferença no consumo ajuda a explicar por que a China continua comprando frango brasileiro mesmo com a expansão de sua produção. Os consumidores chineses têm maior demanda por pés e asas, enquanto os brasileiros preferem peito, coxa e sobrecoxa.
O pé de frango é consumido na China como petisco, vendido temperado e embalado em porções individuais. Também é usado em sopas e caldos. No Brasil, o corte tem menor valorização relativa, mas encontra demanda no mercado chinês.
Em 2025, as exportações brasileiras de pés de frango para a China renderam US$ 221 milhões, e o país asiático foi o principal comprador. De acordo com Santin, o produto é vendido por cerca de US$ 3 mil por tonelada, dependendo do padrão de qualidade.
As diferenças regionais também aparecem em outros mercados: japoneses consomem pernas e cartilagens, africanos preferem pernas e europeus compram mais peito. Para Santin, essas preferências permitem que Brasil e China ocupem espaços distintos no comércio internacional.
A carne chinesa ainda enfrenta restrições em alguns destinos. União Europeia, Japão e Coreia do Sul adotam regras e protocolos sanitários específicos para importar carne de aves, com possíveis limitações para países ou regiões afetados pela gripe aviária.



