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Dívidas e mudança de hábitos reduzem expectativa para vendas no Dia das Crianças

Preços de brinquedos caíram em 12 meses, mas famílias endividadas e novas opções de lazer limitam o consumo na data.

Dívidas e mudança de hábitos reduzem expectativa para vendas no Dia das Crianças
Foto: Guilherme Matos/Folhapress

A queda nos preços de brinquedos, roupas e calçados infantis não deve ser suficiente para impulsionar o comércio no Dia das Crianças, celebrado na segunda-feira (12). Famílias endividadas, juros altos, concorrência das lojas online e a disputa com outras atividades de lazer reduzem o espaço para os presentes tradicionais.

Nos 12 meses encerrados em setembro, brinquedos e artigos esportivos ficaram 0,89% mais baratos, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Faculdade Getulio Vargas (FGV), subiu 3,94%. As roupas infantis tiveram queda de 0,40%, e os calçados infantis, de 3,21%. Entre os brinquedos, as bicicletas recuaram 1,98% e as bonecas, 0,51%.

Para André Braz, economista do FGV Ibre, a variação dos preços de presentes tradicionais foi mais favorável aos consumidores neste ano. Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), afirma, porém, que o custo menor não resolve a falta de renda disponível. “Tá todo mundo endividado”, disse.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostrou que o comprometimento médio da renda das famílias com dívidas passou de 29,3% em agosto para 29,6% em setembro.

Gamboa relaciona o cenário aos juros altos e ao endividamento. Embora o emprego tenha avançado, segundo ele, as famílias priorizam despesas essenciais e deixam menos recursos para outros gastos. Sua avaliação é que o movimento do Dia das Crianças será fraco.

Concorrência e mudanças no consumo

Marcelo Mouawad, diretor da União de Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências (Univinco) e da Associação dos Lojistas de Brinquedos do Brasil (ALBB), afirma que as dívidas reduzem o tíquete médio. Um consumidor que antes compraria um brinquedo de R$ 100 pode optar por um de R$ 60, por exemplo.

Mouawad também aponta a perda de relevância da data. Segundo ele, o Dia das Crianças já teve mais divulgação em TV e jornais, mas hoje concorre com passeios, parques em shoppings e restaurantes com áreas de brinquedos. As lojas online ampliam a pressão, com preços geralmente menores e comparação direta de produtos. A venda presencial ainda atrai consumidores pela variedade e por ajudar quem não sabe exatamente o que comprar.

O diretor também critica a diferença tributária entre empresas brasileiras e estrangeiras. Ele afirma que um produto comprado por US$ 1 (R$ 5) na China pode chegar a cerca de R$ 40 no Brasil depois de impostos, frete, seguro e distribuição, enquanto importações diretas sem tributação custam menos.

Relatos na 25 de Março

Na rua 25 de Março, polo do comércio popular no centro de São Paulo, as avaliações dos lojistas variam. Edson Lima, 53, gerente de uma loja de artigos para festas infantis, relata movimento inferior ao de outros anos. Ele atribui parte da pressão aos tributos e aos aluguéis e afirma que há estabelecimentos fechando na região.

Um vendedor ambulante de armas de bolhas de sabão também descreveu vendas fracas. Sem revelar o nome, ele disse que a preferência das crianças por produtos eletrônicos prejudica os comerciantes de brinquedos.

João Cavalcante, gerente de uma loja nas proximidades da 25 de Março, afirma que o foco do estabelecimento nessa época é o Natal e o Halloween. Para ele, a compra de brinquedos diminuiu nos últimos anos com o avanço dos celulares, da internet e do endividamento. “Ou compra um brinquedo ou paga as contas de casa”, disse.

Há, contudo, lojas com resultado diferente. Rita de Cássia, funcionária de uma loja de brinquedos há 19 anos, afirma que as vendas cresceram. O proprietário estima alta próxima de 10% em relação ao ano passado, segundo ela.

A procura, de acordo com Rita, é puxada por produtos originais de marcas conhecidas, especialmente cartas de Pokémon. Uma coleção lançada neste mês teria aumentado consideravelmente as vendas. Também têm saída brinquedos ligados ao K-pop e à linha de coelhinhos Sylvanian Families.

Rita diz que os pais voltaram a comprar brinquedos depois da pandemia, preocupados com o excesso de tela. Adultos também procuram itens originais para colecionar. Os compradores das cartas de Pokémon vão de crianças a adultos, afirma ela.

Júlio Ventura, empresário do varejo, foi à 25 de Março comprar cartas para uso próprio e revenda. Ele afirma que chegou a vender por R$ 7.500 duas cartas retiradas de pacotes que custaram cerca de R$ 2.000. Para o filho de 11 anos, porém, comprou itens virtuais para jogos, além de prometer um passeio e um brinquedo. Ventura avalia que a geração de 25 a 35 anos ou mais movimenta o mercado das cartas, por ter crescido com os desenhos e agora contar com renda.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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