Emails obtidos pela Polícia Federal indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, estava vinculado a uma conta no Santander relacionada ao advogado e empresário Willer Tomaz. O advogado é suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro associado a fraudes no INSS. Os dois negam ter mantido relação financeira.
A conta era relacionada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual Tomaz é sócio. Em maio de 2025, uma funcionária do advogado pediu ao Santander que o nome de Flávio fosse retirado do cadastro ligado à companhia.
A assessoria do senador afirmou que ele nunca teve uma conta cujo usuário master fosse Willer Tomaz ou alguma de suas empresas. “Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa”, declarou. Também disse que as acusações teriam motivação eleitoral e classificou a divulgação como disseminação de notícias falsas.
A defesa de Tomaz negou que ele tenha compartilhado conta ou mantido relação financeira com Flávio. Segundo a nota, os dois são apenas amigos. A defesa afirmou ainda que tomou medidas criminais contra a divulgação das informações e que a Polícia Federal determinou a abertura de investigação sobre um possível vazamento de dados sob sigilo.
Em agosto deste ano, Tomaz e parentes do senador Weverton Rocha (PDT-MA) foram alvos da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas a fraudes no INSS.
Tomaz também manteve interlocução com parlamentares de diferentes grupos políticos e foi articulador da tentativa de indicação de Augusto Aras para uma vaga no STF durante o governo Jair Bolsonaro. A indicação não avançou, e André Mendonça foi escolhido.
O advogado chegou a ser preso pela Polícia Federal em 2017, na Operação Patmos, deflagrada após a delação da JBS. Segundo a Procuradoria-Geral da República, ele teria intermediado o vazamento de informações sigilosas do Ministério Público Federal. A denúncia foi rejeitada pela Justiça.



