A inflação nos Estados Unidos continua acima da meta do Federal Reserve, enquanto o presidente Donald Trump voltou a defender juros menores. Em agosto, o CPI, índice de preços ao consumidor, acumulou alta de 3,4% em 12 meses, acima do objetivo de 2% do Fed.
Em coletiva, o presidente do banco central americano, Kevin Warsh, afirmou que a inflação ainda não melhorou de forma significativa. “O fato é que a inflação está alta demais e está assim há tempo demais”, disse. Segundo ele, os juros foram elevados porque várias categorias de preços registravam inflação acima de 3% em períodos de seis meses e 12 meses.
Warsh também respondeu aos pedidos de Trump por uma redução das taxas. O presidente dos Estados Unidos já havia criticado Jerome Powell, ex-presidente do Fed, por não cortar os juros. “Nós cuidamos da nossa área. Independência é uma via de mão dupla”, afirmou Warsh.
A declaração de Trump ocorreu depois de uma pergunta sobre as taxas de financiamento imobiliário, que permanecem elevadas. Os juros das hipotecas costumam acompanhar o nível das taxas da economia americana. Na semana passada, o financiamento imobiliário de 30 anos atingiu o maior patamar em quase três anos.
Trump elogiou Warsh, indicado por ele para comandar o Fed, mas acusou os demais integrantes do conselho de desejarem que os Estados Unidos fossem mal porque, na avaliação dele, as taxas deveriam cair.
Ao lado do presidente no Salão Oval, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, atribuiu a inflação elevada a um “choque de energia”. Bessent afirmou que, após o fim do conflito com o Irã, o mercado de energia ficaria abastecido e as taxas de hipoteca e os rendimentos dos Treasuries de 10 anos cairiam.
Sob Warsh, o Fed elevou os juros pela primeira vez em mais de três anos, interrompendo uma sequência de cinco reuniões com taxas inalteradas. A decisão foi influenciada, entre outros fatores, pela alta do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio.
O Comitê Federal de Mercado Aberto afirmou que a atividade econômica americana seguia em expansão sólida e que os gastos domésticos permaneciam resilientes. Novas projeções indicaram que a maioria dos integrantes do Fed esperava pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto em 2026.



