O governo arrecadou R$ 3,5 bilhões em dois leilões de áreas para exploração de petróleo realizados nesta quarta-feira (7). A Petrobras respondeu por R$ 3,2 bilhões, ou 90% do total, ao arrematar 21 blocos.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) concedeu 7 áreas do pré-sal e 49 fora do pré-sal. A primeira oferta levantou R$ 504 milhões. Na segunda, foram arrecadados R$ 3 bilhões, concentrados em áreas do pós-sal.
A maior parte dos desembolsos da Petrobras ocorreu na segunda rodada. A empresa pagou R$ 3 bilhões por 19 blocos, com foco em uma região de águas ultraprofundas da bacia de Campos, diante da divisa entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo.
Áreas arrematadas
A estatal ofereceu ágio de 21.025,97% por um bloco disputado com a francesa TotalEnergies. Ao todo, ficou com 8 blocos nessa região, pagando ágio de 10.351% sobre a soma dos preços mínimos. O local é considerado uma nova fronteira exploratória e ainda não tem produção de petróleo.
Na bacia do Ceará, na margem equatorial brasileira, a Petrobras arrematou 7 blocos em parceria com a Qatar Energy. O consórcio pagou R$ 29 milhões em bônus de assinatura. A bacia não tem produção em águas profundas.
A Petrobras também levou 2 blocos no leilão do pré-sal, realizado durante a manhã. A ANP concedeu 7 das 13 áreas oferecidas. A estatal não concedeu entrevista após o evento.
O pacote foi o maior desde o início do modelo atual de leilões, em 2022, e também teve o maior número de áreas arrematadas no período. Não houve disputa em nenhum lote: os vencedores foram os únicos a apresentar propostas.
Estratégias das empresas
Executivos do setor avaliaram que o resultado reflete uma estratégia de buscar áreas próximas a operações já existentes. O presidente da Pré-Sal Petróleo SA (PPSA), Luiz Fernando Paroli, afirmou que, diante da ausência de áreas gigantes como no passado, as empresas procuram ganhos de eficiência.
A Equinor arrematou uma área próxima a Bacalhau, campo em produção na bacia de Santos. “É uma área que a gente já conhece”, disse Letícia Andrade, vice-presidente de Gestão de Ativos no Brasil. A Prio estreou em contratos de partilha da produção ao arrematar 2 áreas próximas aos campos Wahoo e Frade, na bacia de Campos.
Fora do pré-sal, houve pouca participação estrangeira. A TotalEnergies apresentou as únicas ofertas derrotadas. A maior parte dos blocos ficou com pequenas petroleiras brasileiras especializadas em produção terrestre.
A Aguila Energy foi a maior vencedora entre elas, com 14 blocos e R$ 2 milhões em bônus de assinatura. A empresa foi impedida de fazer novos lances por falta de garantias financeiras. Com 7 ativos no setor —6 campos em produção e 1 bloco exploratório—, arrematou ainda uma área na bacia de Tacutu, em Roraima.
A diretoria da ANP classificou o leilão como bem-sucedido e estimou ao menos R$ 2,3 bilhões em investimentos. O diretor Pietro Mendes também destacou a arrecadação federal: “É uma receita não prevista no orçamento da União”.



