TÓQUIO — A Fuji Electric, maior fabricante de máquinas de conveniência do Japão, adaptou sua tecnologia de refrigeração para atender data centers de inteligência artificial. A empresa afirma que o sistema pode reduzir o consumo de energia em até 85%.
A solução usa um ejetor com refrigerante de CO₂, que aproveita o calor residual para impulsionar o fluido por um bocal de precisão. Nos sistemas convencionais, compressores movidos a eletricidade de alta potência fazem esse trabalho.
A tecnologia começou a ser desenvolvida depois do acidente nuclear de Fukushima em 2011. Na época, as máquinas de venda automática foram criticadas pelo desperdício de energia. Em 2015, engenheiros da Fuji Electric criaram o ejetor, que eliminava a necessidade de compressor e reduzia o gasto energético em 20%.
Hideto Shirai, responsável pelos esforços da empresa para vender a tecnologia a data centers, afirmou: “Simplesmente estender a tecnologia convencional não teria sido suficiente”. Embora o sistema não seja viável para máquinas de venda automática por causa do custo, a Fuji Electric encontrou uma aplicação no mercado de infraestrutura de tecnologia da informação.
A fabricante japonesa pretende vender mais de 10 bilhões de ienes (US$ 61 milhões) em sistemas de ejetores para data centers até 2030. A atuação na cadeia de suprimentos de inteligência artificial ajudou as ações da empresa a subirem quase 47% no último ano.
O equipamento pode ser usado em estruturas de resfriamento líquido, uma tecnologia que circula o fluido refrigerante diretamente em componentes que geram calor, como CPUs e GPUs. O sistema de ejetores apresenta melhor desempenho em regiões de temperaturas elevadas, com potencial de uso em áreas do Japão onde o calor de verão supera 35°C e no Sudeste Asiático.
Desafios para a adoção
A entrada em larga escala enfrenta a concorrência dos chillers de absorção movidos a calor residual, fabricados pelas japonesas Kawasaki, Ebara e Yazaki. Analistas também afirmam que grandes operadores de data centers já definiram suas arquiteturas para os próximos anos, o que dificulta a entrada de novos fornecedores.
Alex Cordovil, diretor de pesquisa do grupo Dell’Oro, classificou a tecnologia como “promissora”, mas disse que ela ainda está em fase “genuinamente embrionária”. Ryo Harada, analista do Goldman Sachs, questionou a capacidade da Fuji Electric de acessar o mercado norte-americano. Para ele, novos entrantes podem levar pelo menos dois ou três anos para ganhar relevância, porque as empresas de tecnologia já definiram suas arquiteturas de próxima geração.



