Os principais candidatos à Presidência apresentam propostas diferentes para cinco frentes da economia: equilíbrio das contas públicas, endividamento das famílias, comércio exterior, inflação e juros. Os planos de governo foram apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Apostas online e dívidas
Augusto Cury não menciona diretamente bets ou apostas online. Flávio Bolsonaro propõe impedir o uso de recursos de programas sociais em apostas e prevê campanhas de conscientização e orientação financeira pela Caixa. Lula defende mecanismos para controlar o endividamento ligado às apostas, regras mais rígidas para o crédito e ampliação do atendimento em saúde mental. Renan Santos e Romeu Zema não citam o tema em seus planos.
As apostas retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias em 2025, segundo estudo do Comsefaz. Desde o início daquele ano, o governo arrecadou R$ 15,3 bilhões em impostos sobre as bets.
No endividamento das famílias, Cury propõe um Banco do Empreendedor, com microcrédito de R$ 2 mil a R$ 20 mil e juros de 5% a 6% ao ano. Flávio Bolsonaro prevê renegociação de dívidas para mulheres e orientação financeira. Lula aposta em programas como Desenrola Brasil, Novo Desenrola e Desenrola Pequenos Negócios. Renan Santos não apresenta medidas específicas para o crédito ao consumidor. Zema defende renegociação e portabilidade pelo Open Finance.
Contas públicas
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto e de R$ 88,9 bilhões no acumulado de janeiro a agosto. A dívida pública chegou a 82,9% do PIB, ou R$ 11,05 trilhões.
Cury propõe reduzir o déficit até próximo de zero, fazer uma reforma administrativa e usar inteligência artificial para localizar fraudes e desperdícios. Flávio Bolsonaro defende novas regras fiscais, redução da dívida e diminuição de despesas não obrigatórias. Lula propõe manter o Novo Arcabouço Fiscal, revisar benefícios fiscais e aumentar a tributação sobre os mais ricos.
Renan Santos critica o arcabouço e propõe uma PEC de Equilíbrio Fiscal, com economia projetada de R$ 1,1 trilhão até 2031. Ronaldo Caiado defende limitar o crescimento das despesas obrigatórias sem aumentar impostos ou fazer cortes lineares. Zema propõe reduzir despesas, reformar a Previdência, revisar emendas parlamentares e privatizar empresas estatais.
Comércio exterior e terras raras
Diante das sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% aplicadas pelos Estados Unidos a parte dos produtos brasileiros, os candidatos também apresentam propostas para o comércio exterior. Em alguns casos, as tarifas são cumulativas e chegam a 37,5%.
Cury defende reduzir a burocracia das exportações, devolver impostos às empresas exportadoras e criar corredores de transporte. Flávio Bolsonaro propõe ampliar relações com Estados Unidos, Argentina e Israel, sem deixar de negociar com China, União Europeia e países asiáticos.
Lula propõe o Plano Brasil Soberano, a busca de novos mercados e o fortalecimento da indústria. Renan Santos defende Zonas Econômicas Especiais e a produção de itens de maior valor agregado, como terras raras e hidrogênio verde. Caiado propõe processar minerais estratégicos no país antes da exportação. Zema defende a saída do Brasil dos BRICS, a transformação do Mercosul em zona de livre comércio e a retomada do processo de entrada na OCDE.
Inflação e juros
A Selic está em 13,75% ao ano, após cinco cortes feitos pelo Banco Central em 2026. A expectativa do mercado financeiro é de que termine o ano em 13,50%.
Cury associa a redução dos juros ao equilíbrio das contas públicas. Flávio Bolsonaro relaciona juros e inflação ao aumento dos gastos e da dívida e propõe reduzir impostos sobre combustíveis e energia elétrica. Lula defende o Novo Arcabouço Fiscal, o aumento da produtividade industrial e estoques de alimentos para evitar altas de preços.
Renan Santos propõe um ajuste fiscal amplo. Caiado defende coordenação entre o controle das contas públicas e a política de juros, preservando a autonomia do Banco Central. Zema propõe controlar a dívida, manter superávits, reduzir gradualmente o IOF e diminuir linhas de crédito subsidiadas.
O endividamento também aparece como obstáculo ao crescimento. Em julho, 82% dos consumidores tinham alguma dívida a vencer. A taxa média de inadimplência nas operações de crédito subiu de 4,9% para 5% entre julho e agosto, segundo o Banco Central do Brasil (BC).



