Grandes fundos de pensão globais estão reduzindo a exposição a ações dos Estados Unidos diante das avaliações elevadas e da concentração do mercado em empresas ligadas à inteligência artificial (IA). A preocupação ganhou força após a valorização de companhias como Nvidia, Alphabet e Microsoft, que impulsionaram o índice S&P 500 nos últimos anos.
O Australian Retirement Trust (ART), que administra cerca de US$ 260 bilhões (R$ 1,34 trilhão), diminuiu neste ano sua posição em ações americanas em relação ao índice MSCI World. Jimmy Louca, gestor sênior de portfólio do fundo, afirmou que as avaliações do setor de IA e das ações dos EUA estão elevadas e que os fundamentos já estão mais do que precificados.
“É preciso diversificar”, disse Louca. O gestor afirmou que o ART não espera um colapso semelhante ao da bolha das empresas de tecnologia, mas avalia que o mercado avançou mais do que os fundamentos justificariam.
Exposição abaixo dos índices
O canadense La Caisse, com US$ 388 bilhões (R$ 1,93 trilhão) sob gestão, também está diversificando sua carteira. Vincent Delisle afirmou que o fundo busca reduzir a dependência das empresas de tecnologia de megacapitalização e encontrar oportunidades fora desse segmento. A exposição aos EUA continua sendo a maior do fundo.
No Reino Unido, o principal fundo do People’s Pension tinha 49% de sua exposição a ações globais nos EUA, ante 53% no fim do ano passado. O percentual está abaixo dos 64% do índice MSCI ACWI. O fundo administra 45 bilhões de euros (R$ 263,25 bilhões).
Um relatório da Marsh mostrou que, entre 430 instituições globais consultadas, com mais de US$ 5 trilhões (R$ 25,68 trilhões) em ativos sob gestão, um terço planejava reduzir a exposição a ações americanas nos 12 meses seguintes. O resultado representava o dobro do nível registrado no ano passado.
Segundo o relatório, a concentração de poucas empresas de tecnologia nos principais índices americanos tornou a exposição geográfica também uma concentração setorial e de fatores. Mais de um terço do S&P 500 é formado por empresas de grande capitalização expostas ao ciclo de investimentos em IA.
O diretor de investimentos do People’s Pension, Dan Mikulskis, afirmou que o risco de concentração merece discussão diante do tamanho do mercado americano nas carteiras globais e do avanço do investimento passivo por meio de índices.
O dinamarquês ATP, que administra mais de US$ 100 bilhões (R$ 498,6 bilhões), também acompanha as avaliações e os riscos de concentração. Para seu diretor de investimentos, Mikkel Svenstrup, as cotações atuais dependem de expectativas de crescimento muito forte dos lucros nos próximos anos, o que torna as ações mais vulneráveis a decepções.



