A Nvidia negocia a aquisição da Reflection AI, startup americana que desenvolve modelos de inteligência artificial de pesos abertos, ou a ampliação de seu investimento na empresa. As conversas estão em estágio inicial e podem terminar sem acordo.
Entre as possibilidades em discussão está o chamado “acqui-hire”, formato em que a Nvidia contrataria funcionários da startup e licenciaria sua tecnologia, sem realizar uma aquisição integral. A empresa também pode fazer um novo aporte de capital ou fornecer mais chips e capacidade computacional à Reflection.
Um acordo pode ser fechado nas próximas semanas, embora os termos ainda não tenham sido definidos. A Reflection foi avaliada pela última vez em US$ 25 bilhões, quase R$ 125 bilhões, em uma rodada de financiamento realizada em março. Nvidia e Reflection não comentaram as negociações.
A Nvidia já é uma das maiores acionistas da startup e investiu US$ 800 milhões, ou R$ 4 bilhões, na companhia. A Reflection também tem o apoio de empresas de capital de risco como Sequoia Capital, Disruptive e 1789 Capital, da qual Donald Trump Jr. é sócio.
Estratégia da Nvidia em inteligência artificial
A Nvidia tem ampliado seus investimentos para fortalecer o mercado de inteligência artificial. A companhia possui a família de modelos de pesos abertos Nemotron, mas não dispõe de um modelo próprio de grande escala na fronteira tecnológica.
Modelos de pesos abertos podem ser personalizados e executados no hardware dos próprios usuários. Para empresas, eles podem ter custo de operação menor que versões mais avançadas do ChatGPT, da OpenAI, ou do Claude, da Anthropic.
Em julho, Jensen Huang, diretor-presidente da Nvidia, defendeu a criação de um ecossistema nacional de pesos abertos. Em setembro, a empresa, avaliada em US$ 5,5 trilhões, ou R$ 27,45 trilhões, concordou em adquirir por US$ 13 bilhões, equivalentes a R$ 65 bilhões, a Hugging Face, repositório de modelos e conjuntos de dados.
A companhia também fechou em dezembro um acordo de US$ 20 bilhões, ou R$ 100 bilhões, com a projetista de chips Groq em um formato semelhante ao “acqui-hire”. Nesta semana, funcionários da Groq moveram um processo relacionado ao negócio.
A Reflection apresentou nesta semana seu primeiro produto público e personalizável de inteligência artificial, que funciona com chips da Nvidia. A startup afirma que o modelo tem desempenho equivalente ao GLM-5.2, da Z.ai, concorrente chinês. Seus fundadores, Misha Laskin e Ioannis Antonoglou, trabalharam anteriormente no Gemini, modelo de IA do Google.
A startup mantém parcerias com o Pentágono e o Departamento de Energia, além de acordos para desenvolver modelos destinados a aliados dos Estados Unidos, como a Coreia do Sul.


