SÃO PAULO — O fim da patente da semaglutida no Brasil, em março de 2026, abriu espaço para uma disputa entre laboratórios por um mercado que movimentou cerca de R$ 10,1 bilhões nos oito primeiros meses deste ano. Pelo menos 16 produtos similares e genéricos do princípio ativo foram registrados pela Anvisa no período.
A EMS foi a primeira empresa a registrar uma versão nacional, a Ozivy, lançada em junho. A Hypera Pharma entrou no segmento com a Semavy, da marca Mantecorp. Relatório do Itaú BBA estima que o produto pode acrescentar R$ 359 milhões à receita líquida da companhia no primeiro ano completo de vendas, o equivalente a 4% da receita total projetada para a Hypera em 2027.
A Eurofarma lançou a Poviztra, baseada na mesma molécula do Wegovy, e também desenvolveu o Extensior, com uma molécula similar à do Ozempic.
Os preços dos genéricos são estimados entre 30% e 50% abaixo dos produtos originais. A Ozivy é vendida a partir de R$ 452 e pode custar entre R$ 287 e R$ 300 mensais em pacotes de compra de 90 dias. A Mantecorp é encontrada por R$ 333. Entre os produtos importados, o Ozempic e o Wegovy custam cerca de R$ 999 cada, enquanto o Mounjaro varia de R$ 1.422 a R$ 3.499.
O Mounjaro, protegido por patente até 2036, responde por cerca de 65% da receita do segmento. Sergio Mena Barreto, presidente da Abrafarma, afirmou que a ampliação da oferta pode beneficiar pessoas que não conseguem comprar os medicamentos pelos preços atuais. “Toda medida que possa facilitar a vida do cliente é bem-vinda.”
Disputa por impostos e acesso
O governo avalia que o fim da patente pode permitir a oferta de canetas de semaglutida pelo SUS. Há duas semanas, Lula disse que os medicamentos injetáveis para obesidade devem ser disponibilizados gratuitamente pelo sistema de saúde, sem apresentar um cronograma. A declaração ocorreu durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG).
A EMS pediu à Camex, em setembro, o aumento da alíquota de importação das canetas prontas do exterior de 7,2% para 15%, uma elevação de 108%. A medida pode afetar empresas como Novo Nordisk, Hypera, Sandoz e Eurofarma.
O Sindusfarma defende a produção nacional, mas é contrário ao aumento do imposto sobre produtos acabados importados. Para a entidade, a concorrência em condições tributárias equivalentes favorece o mercado e os pacientes. Renato Porto, presidente da Interfarma, também afirmou que diferenciações tributárias podem dificultar a formação de um mercado saudável.
A Abifina estima que cerca de 1.500 patentes de princípios ativos e processos industriais ligados a aproximadamente mil medicamentos vão expirar nos próximos anos. Esses produtos representam um mercado potencial estimado em dezenas de bilhões de reais.



