WASHINGTON — A guerra no Irã aumentou os custos de produção e transporte de bananas destinadas aos Estados Unidos, pressionando uma cadeia que opera com margens estreitas e pouca capacidade de repassar despesas aos consumidores. A alta atingiu combustíveis, fertilizantes, embalagens e produtos químicos usados nas plantações.
A banana é a fruta mais consumida nos Estados Unidos, com média de cerca de 80 unidades por pessoa ao ano. Mesmo transportada por milhares de quilômetros, costuma ser vendida por menos de 25 centavos de dólar por unidade. O preço médio nos Estados Unidos estava em cerca de 65 centavos de dólar por libra em agosto e mudou pouco na última década, apesar do aumento dos custos.
“Tudo está custando mais”, disse Danny Dumas, vice-presidente sênior da Del Monte North America. Para ele, o setor enfrenta uma crise.
Combustível e transporte
O diesel usado nos caminhões refrigerados da Del Monte subiu cerca de 70% nos Estados Unidos desde o início da guerra, sete meses atrás. O combustível chegou a um pico de mais de US$ 6 por galão. Também ficaram mais caros o óleo combustível dos navios e o combustível utilizado nos sistemas de irrigação da América Central e da América do Sul.
Os fertilizantes também sofreram aumento porque grande parte é produzida com gás natural proveniente do Oriente Médio. Os custos maiores de transporte afetaram ainda embalagens de papelão e plástico e produtos químicos aplicados para prevenir doenças.
A Del Monte, a Chiquita, a Dole e a Fyffes continuam abastecendo o mercado americano. Em um porto nos arredores da Filadélfia, o navio Del Monte Spirit descarregou centenas de contêineres refrigerados após percorrer mais de 3.200 quilômetros desde a América Central. A embarcação transportava cerca de 7% das bananas que entrariam nos Estados Unidos naquela semana.
O carregamento incluía bananas da Guatemala e da Costa Rica. A tripulação tinha 40 horas para concluir a descarga antes do retorno para buscar a carga seguinte. Em uma operação semanal, a Del Monte descarrega até 300 mil caixas em Gloucester City, em Nova Jersey.
A rota inclui o transporte de mais de 400 quilômetros entre plantações em Tiquisate, na Guatemala, e o porto de Santo Tomás de Castilla. Depois, as bananas seguem para Gloucester City e podem ser encaminhadas a instalações de amadurecimento, onde a temperatura é elevada gradualmente e é aplicado gás etileno.
Doenças e margem reduzida
O encarecimento dos insumos aumenta o risco de que agricultores reduzam o uso de fertilizantes e produtos contra doenças. Isso poderia diminuir a produção no próximo ano. Alguns produtores da América Central já estão substituindo bananas por abacaxis.
A principal variedade consumida nos Estados Unidos é a Cavendish, uma linhagem geneticamente homogênea ameaçada por fungos e vírus. Outra variante da doença do Panamá pode sobreviver no solo por décadas e destruir plantações inteiras.
No norte do Peru, o produtor Miguel Angel Morales disse que a doença atingiu um em cada três vales produtores de banana de sua região. Há cinco anos, os agricultores locais produziam 12 contêineres; agora, enchem apenas um. Morales afirmou que seus custos aumentaram de 25% a 30% neste ano.
A pressão também aparece nos resultados das empresas. No segundo trimestre, a margem da Del Monte com bananas foi de apenas 2,3%. O preço médio de uma libra da fruta nos Estados Unidos caiu aproximadamente pela metade nos últimos 40 anos, considerando a inflação.
Além da guerra, o setor enfrentou tarifas, escassez de caminhoneiros e contratos de longo prazo que mantêm o preço pago a muitos produtores. Alguns desses contratos vencem em dezembro, mas não está claro quanto os supermercados aceitarão elevar os valores.
“Em toda a cadeia de abastecimento, tudo depende de energia”, disse Mohammed Abbas, presidente da Del Monte.



