WASHINGTON — Agricultores dos Estados Unidos terão mais dificuldades para obter recursos do Programa de Energia Rural para a América (Reap), administrado pelo Departamento de Agricultura (USDA), após mudanças anunciadas pelo governo de Donald Trump. As novas regras entram em vigor em 16 de outubro.
O Reap financia projetos como instalações solares e eólicas, biodigestores de dejetos animais e iniciativas de eficiência energética. Entre 2014 e 2025, o programa destinou mais de US$ 4,8 bilhões (R$ 24,1 bilhões) a subsídios e garantias de empréstimo, conforme análise da Coalizão Nacional de Agricultura Sustentável (NSAC) com base em dados do USDA.
Novas exigências
Desde que foi autorizado pelo Congresso dos EUA em 2008, o programa permitia que agricultores que ainda não tinham iniciado um projeto solicitassem subsídios para cobrir até metade do custo. Com a alteração, será necessário concluir o projeto e comprovar um ano de economia de energia antes de pedir financiamento.
As inscrições para o Reap estão suspensas neste ano enquanto o governo prepara a implementação das mudanças. Na última década, o programa apoiou mais de 19 mil projetos conduzidos por agricultores e proprietários de pequenas empresas, segundo a NSAC.
Richa Patel, especialista em políticas da entidade, afirmou que os custos dos projetos, que podem variar de vários milhares a centenas de milhares de dólares, dificultarão o acesso para muitos agricultores. Ela também citou o impacto das políticas tarifárias de Trump e do aumento dos custos de combustível e fertilizantes.
"Para muitos agricultores, isso simplesmente não será possível, especialmente considerando que estes tempos já são tão incertos financeiramente", disse Patel.
Um porta-voz do USDA declarou que as mudanças "têm como objetivo ajudar o programa a financiar a produção real e os resultados dos projetos, e não apenas projeções".



